Inovação em risco: líderes globais pedem ação urgente para garantir acesso às injeções que previnem o HIV

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Em um momento decisivo para a resposta global ao HIV, lideranças internacionais se reuniram nesta semana na sede do Unaids, em Genebra, para debater estratégias de expansão das tecnologias de prevenção de longa duração, como o lenacapavir e o cabotegravir. Sem financiamento adequado e vontade política, o mundo pode perder o controle da pandemia de aids.

As tecnologias injetáveis de longa duração representam um marco na prevenção do HIV. O lenacapavir, por exemplo, demonstrou quase 100% de eficácia na prevenção da infecção. Em 2024, essas inovações foram apontadas pela revista Science como um dos principais avanços científicos do ano. No entanto, a falta de recursos ameaça comprometer o potencial transformador dessas ferramentas.

“Se continuarmos nesse caminho, poderemos ter mais 6 milhões de novas infecções por HIV e 4 milhões de mortes relacionadas à aids até 2029”, alertou Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids. “Temos hoje uma oportunidade única com essas novas tecnologias de prevenção de longa duração, que podem redefinir completamente a resposta ao HIV.”

O encontro, promovido pela Coalizão Global para a Prevenção do HIV e coorganizado pelo Unaids em parceria com UNFPA, OMS, PNUD, Brasil e Países Baixos, reuniu representantes de governos, agências da ONU, farmacêuticas e sociedade civil. O foco foi acelerar o acesso às tecnologias de prevenção e consolidar sistemas sustentáveis de combate à epidemia.

Entre os modelos apresentados, o Brasil ganhou destaque. Representando o país, Mariângela Simão comemorou os avanços no acesso à PrEP (profilaxia pré-exposição). “A meta inicial era alcançar 50 mil pessoas com PrEP até 2025. Já superamos esse número: atualmente, são 122 mil usuários. Nossa próxima meta é chegar a 300 mil até o próximo ano. E os dados mostram que, onde há maior cobertura da PrEP, como nas cidades com mais de 100 mil habitantes, a incidência do HIV está em queda.”

O evento também reforçou a importância da diversidade de opções de prevenção. Mitchell Warren, copresidente da Coalizão e diretor-executivo da AVAC, defendeu o direito à escolha: “Preservativos funcionam bem para algumas pessoas. A PrEP oral é segura e eficaz para quem consegue tomá-la diariamente. O anel vaginal mensal com dapivirina é preferido por algumas mulheres. A circuncisão voluntária funciona para muitos homens. A redução de danos é eficaz para pessoas que usam drogas injetáveis. Agora, temos também as injetáveis de longa duração como alternativa para quem busca métodos mais discretos e práticos.”

As discussões abordaram ainda os riscos da inação, a necessidade de equidade no acesso e a importância de derrubar barreiras estruturais — como obstáculos regulatórios, financeiros e sociais — para garantir que essas tecnologias cheguem a quem mais precisa.

“Não agir agora é deixar uma epidemia ainda maior para a próxima geração”, declarou o embaixador Paul Bekkers, representante permanente dos Países Baixos nas Nações Unidas. “Ou podemos colocar o mundo no caminho do controle da epidemia de HIV e, eventualmente, no fim da aids como ameaça à saúde pública.”

Durante o evento, foi lançado o folheto “Um avanço contra o HIV em um momento de crise: como aproveitar essa oportunidade histórica?”, material que resume os desafios e os caminhos para garantir que as inovações tecnológicas não sejam privilégio de poucos, mas um direito de todos.

A mensagem final do encontro foi clara: diante de um cenário de crise, a solidariedade global e o compromisso político são mais urgentes do que nunca.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações

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