INFECTOLOGISTAS APROVAM CIRCUNCISÃO COMO MÉTODO DE PREVENÇÃO AO HIV/AIDS MAS ALERTAM PARA A IMPORTÂNCIA DA CONTINUIDADE DO USO DO PRESERVATIVO

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14/12/2006 – 15h30

A edição desta quinta-feira, 14, do jornal Folha de S.Paulo divulgou resultados de testes clínicos do Instituto Nacional de Saúde dos EUA comprovando que a circuncisão de homens africanos pode reduzir em 50% o risco de infecção pelo HIV. Para infectologistas brasileiros, a medida é válida em locais onde é difícil o acesso ao preservativo, mas alertam para o fato do procedimento não ser totalmente eficaz para deter a infecção.

“Isso é provado que traz um nível de eficácia na proteção contra a infecção pelo HIV de 50 até 75%. Em algumas situações é uma medida válida, como em locais onde é difícil o acesso à saúde e ao tratamento anti-retroviral ou as medidas de prevenção são pouco divulgadas por motivos religiosos ou políticos,” declarou o médico infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e do Hospital São Paulo, Dr. Esper Kallas. “Existem várias culturas e religiões onde a circuncisão é considerada uma prática rotineira e se esta ferramenta pode ajudar a deter a proliferação da epidemia, deve ser usada”, acrescentou. Kallas ressalta que é necessária responsabilidade, tanto por parte dos médicos como da imprensa, ao divulgar a informação. “A circuncisão oferece proteção parcial e não total, há uma grande diferença entre essas duas coisas”, alertou.

Para Dr. Robinson Camargo, do Serviço de Atendimento Especializado em DST/Aids Sapopemba, no município de São Paulo, “em lugares como a África, onde há dificuldade da população para obter preservativos, é mais uma forma de fazer prevenção. É preciso apenas cuidado na maneira de passar a informação para que, por exemplo, homens brasileiros que foram circuncidados por motivos religiosos ou outro motivo qualquer, não pensem que estão desobrigados de usar o preservativo para se proteger”, afirmou.

A Dra. Zarifa Khouri considera a circuncisão “um bom método coadjuvante, porque não impede a infecção, apenas diminui o risco. O preservativo deve ser usado sempre. Não se deve, por exemplo, na África, fazer circuncisão em todo mundo e não comprar preservativos. O investimento prioritário deve ser em preservativos que, além da Aids, ainda evita outras doenças sexualmente transmissíveis. Mesmo em lugares onde a religião ou a cultura dificulta a utilização da camisinha, sou favorável que se promova a mudança de hábitos”, concluiu.

Maurício Barreira

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