A decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) de incluir o Bictegravir — medicamento de dose única diária conhecido comercialmente como Biktarvy — nos protocolos públicos de tratamento do HIV foi recebida com entusiasmo por infectologistas do país. Considerado uma das terapias mais modernas disponíveis, o novo esquema combina três antirretrovirais em um único comprimido, reduzindo efeitos colaterais e facilitando a adesão ao tratamento. Especialistas ouvidos pela Agência Aids destacam que a incorporação representa um avanço importante para a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/Aids, especialmente aquelas com comprometimento renal, ósseo ou coinfecção por hepatite B. Confira!

Dr. Álvaro Costa Furtado – Infectologista do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo (CRT)
“Toda vez que é incorporada uma nova tecnologia no tratamento do HIV, a gente comemora, especialmente se é uma tecnologia já estudada e aprovada em outros países, como o Bictegravir.
Essa combinação de antirretrovirais tem vantagens importantes, principalmente por reunir três fármacos em um único comprimido, o que facilita a adesão dos pacientes. Inúmeros estudos mostram que esquemas baseados em um comprimido único são mais toleráveis e melhoram a adesão.
O Bictegravir é uma droga potente, semelhante ao dolutegravir, e sua formulação com tenofovir alafenamida e entricitabina oferece menos toxicidade óssea e renal, o que é essencial para pacientes com disfunção renal, osteopenia ou osteoporose.
Também é uma boa alternativa para pessoas coinfectadas com hepatite B, já que mantém o tratamento antiviral com menor risco de dano renal ou hepático.
A incorporação dessa combinação é uma conquista importante para o Brasil, especialmente considerando o envelhecimento das pessoas que vivem com HIV. Tecnologias mais seguras e simples ajudam a garantir qualidade de vida e melhor acompanhamento no SUS.”
Dra. Maria Felipe Medeiros – Pesquisadora de Infectologia e Saúde da População Trans na Casa da Pesquisa – CRT DST/Aids São Paulo
“O Bictegravir é muito semelhante à terapia de primeira escolha que usamos no Brasil, mas traz duas vantagens grandes.
A primeira é o uso do tenofovir alafenamida, que causa menos disfunção renal e menos perda de massa óssea.
A segunda, e talvez a principal, é o fato de ser um comprimido único. O último esquema triplo em dose única que tínhamos era o com efavirenz, que provocava muitos efeitos colaterais, como pesadelos, prejudicando bastante a qualidade de vida das pessoas.
Com o Bictegravir, esses efeitos são praticamente inexistentes. A aprovação pela Conitec é um passo importante, e agora esperamos que o preço seja competitivo para que o medicamento chegue o quanto antes aos pacientes. Primeiro em casos específicos, e depois para um público mais amplo.”
Dra. Zarifa Khoury – Infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas
“Recebo muito bem essa notícia, porque a ideia é combinar o Bictegravir com entricitabina e tenofovir alafenamida em um único comprimido. Essa formulação será especialmente importante para pessoas com problemas renais ou ósseos, facilitando a adesão ao tratamento. É um avanço significativo na terapia antirretroviral para esses pacientes.”
Dr. Hilton Alves Filho – Infectologista do CTA de Pelotas (RS), com foco em saúde LGBTQIAPN+
“A incorporação de um novo medicamento em pílula única, como o Biktarvy, no SUS é extremamente importante, pois oferece uma alternativa eficaz, segura e com um perfil de toxicidade melhor em comparação com tratamentos anteriores para pessoas com HIV-1 — tanto aquelas que iniciam o tratamento agora quanto as que já possuem experiência terapêutica.
Essa medicação pode atuar em duas frentes dentro do SUS: como opção para pessoas com doença renal que não são elegíveis à simplificação com o Dovato, e como alternativa de resgate para casos de falha terapêutica com antirretrovirais mais antigos. Além disso, traz mais comodidade por ser uma dose única diária, o que melhora a adesão e a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV.”
Vinícius Monteiro (vinicius@agenciaaids.com.br)
Estagiário em Jornalismo na Agência Aids
Edição: Talita Martins
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