19/2/2007 – 15h10
A Igreja Católica de Nova York condenou o preservativo e declarou uma guerra aberta à Prefeitura da cidade por seu anúncio de distribuir gratuitamente milhões de camisinhas.
“A decisão de distribuir milhões de preservativos é trágica e equivocada” diz uma declaração que a cúpula católica nova-iorquina emitiu vinte e quatro horas depois que a Prefeitura apresentou sua campanha no Dia de São Valentim. Em sua declaração, o arcebispo de Nova York, Edward Cardinal Egan, e o bispo da diocese do Brooklyn, Nicholas DiMarzio, denunciaram: “Nossos lideres políticos não protegem o tom moral de nossa comunidade”.
“Degradam os padrões sociais e estimulam uma atividade sexual inadequada, enchem nossos bairros de preservativos”, afirmaram na quinta-feira os religiosos, que criticaram que “o dinheiro do contribuinte seja utilizado para fabricar e distribuir preservativos”.
A resposta do prefeito Michael Bloomberg não demorou e através de um de seus porta-vozes, Stu Loeser, nesse mesmo dia ressaltou: “Com o devido respeito ao arcebispo Egan e ao bispo DiMarzio, pensamos de maneira diferente”.
“Pensamos que o que fazemos é salvar vidas humanas, e que isso é o importante” disse o representante da Prefeitura nova-iorquina, que não é a primeira vez que lança uma campanha de distribuição gratuita de preservativos. Entre junho de 2005 e o mesmo mês de 2006, a Prefeitura já distribuiu sem nenhum custo 18 milhões de preservativos, embora a novidade deste ano é que os preservativos levam o nome da cidade.
Apresentados com estardalhaço o Dia de São Valentim – e nos dois idiomas de Nova York, inglês e espanhol -, os chamados NYC Condoms transformaram a cidade dos arranha-céus na primeira do mundo que grava sua própria marca de preservativos. Com uma embalagem na qual se misturam as cores das diferentes linhas do metrô nova-iorquino, os NY Condoms podem ser retiradas em 800 locais, incluindo clínicas e centros de saúde, restaurantes e bares, discotecas e lojas. Também podem ser encontrados em uma linha de roupa de baixo masculina e feminina com igual desenho e bolsos onde guardá-los.
Os preservativos da maior cidade dos Estados Unidos são produzidos na Malásia, mas a idéia é que o mote “da marca Nova York” encoraje a se proteger quem ainda não o faz de maneira habitual. Cerca de 100.000 nova-iorquinos, segundo dados da Prefeitura, não utilizaram preservativos em seus esporádicos encontros sexuais durante 2006 em uma cidade que registra o maior índice de Aids do país.
Em Nova York já há um número igual de infectados pela doença, e na atualidade a Aids é a terceira causa de morte entre os menores de 65 anos na zona urbana, após o câncer e as doenças cardíacas. Só em 2005, último ano em que há dados, foram contabilizadas em Nova York 1.400 mortes por aids, que tem particular incidência na população afro-americana. E também entre os hispânicos, que constituem 30% dos infectados pelo vírus HIV.
Além de evitar a gravidez não desejada, sobretudo de adolescentes, o propósito não é outro que “frear essa pandemia”, detalhou o comissário nova-iorquino de saúde, Thomas R. Frieden. O servidor municipal anunciou que a Prefeitura encomendou por enquanto 26 milhões de preservativos, mas advertiu: “Se necessitarmos de mais, encomendaremos mais”.
Fonte: Agência EFE



