IAS RECONHECE CIRCUNCISÃO MASCULINA COMO FERRAMENTA PODEROSA PARA DETER A PROLIFERAÇÃO DO HIV MAS ALERTA PARA A NECESSIDADE DA CONTINUIDADE DO USO DO PRESERVATIVO E PEDE DESENVOLVIMENTO DE MÉTODOS DE PREVENÇÃO CONTROLADOS PELAS MULHERES

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19/12/2006 – 12h40

A Sociedade Internacional de Aids (International Aids Society – IAS) aclamou hoje os resultados de duas pesquisas de Institutos Nacionais de Saúde do Quênia e de Uganda, que demonstrou que a circuncisão masculina poderia reduzir pela metade o risco da infecção pelo HIV entre os homens. Como associação líder independente de profissionais especializados em HIV, a IAS pede cuidadosa e rápida implementação desta nova ferramenta de prevenção, particularmente em países com alta prevalência do HIV.

“Quando realizada de maneira segura, a circuncisão masculina representa uma ferramenta poderosa em uma estratégia ampla para prevenir novas infecções pelo HIV ao redor do mundo”, disse Dr. Pedro Cahan, presidente da IAS e diretor da Fundación Huesped, em Buenos Aires, Argentina. O estudo do Instituto Nacional de Saúde confirma a pesquisa anterior anunciada em 2005, no Rio de Janeiro, e assinala um marco nos esforços globais da prevenção ao HIV.”

O estudo anterior (Auvert et al), anunciado na 3ª Conferência da IAS em Patogênese, Tratamento e Prevenção no Rio de Janeiro, mostrou uma redução de 60% na transmissão da mulher para o homem entre os participantes do teste clínico. O estudo foi conduzido na África do Sul por pesquisadores franceses e sul africanos e foi apoiado pela French Agence Nationale de Recherches sur le SIDA ( ANRS – Agência Nacional Francesa de Pesquisas sobre a Aids). Juntos, estes três estudos fornecem evidências conclusivas da eficácia da circuncisão masculina, especialmente para homens em paíse com alta prevalência do HIV.

“A circuncisão masculina representa a mais nova significativa ferramenta de prevenção disponível. No entanto, não é uma panacéia”, afirmou o diretor executivo da IAS Craig McClure. “Os estudos não focam o risco de infecção dos homens por meio do sexo anal, e a circuncisão não elimina a necessidade do uso contínuo do preservativo e da mudança de comportamento relacionada. Enquanto nós fazemos tudo o que podemos para implementar esta nova estratégia, nós devemos fazê-lo com responsabilidade, uma vez conhecidas estas advertências”, acrescentou McClure.

A IAS pede o desenvolvimento de normas internacionais que ressaltem o fato de que a circuncisão masculina é um procedimento cirúrgico que deve ser realizado com segurança, em um ambiente clínico estéril, com oportunidades de acompanhamento médico. Além disso, os estudos no Quênia e Uganda abordam o risco da transmissão da mulher para o homem, e não afirmam que as parceiras sexuais mulheres de homens circuncidados também estão protegidas. Um estudo clínico separado, liderado por pesquisadores na Universidade Johns Hopkins, está avaliando o efeito da circuncisão masculina sobre o risco de infecção da mulher. Os resultados desse estudo são esperados para 2007.

”Como descoberta importante que é este estudo, nós não podemos perder de vista objetivos igualmente importantes no horizonte, incluindo o desenvolvimento de um método de prevenção do HIV controlado pelas mulheres, tal como o microbicida”, declarou Dr. Cahn. “Microbicidas, profilaxia pré-exposição (PREP) e vacinas são ferramentas adicionais tambem que se, eficazes, ajudarão a colocar a prevenção nas mãos das próprias mulheres. Além disso, o acesso universal ao tratamento anti-retroviral para pessoas vivendo com HIV/Aids que precisam também pode provar ter um impacto benéfico na prevenção a nível da população.”

Sobre a IAS

A IAS é a associação líder mundial independente de especialistas em HIV, com mais de 10 mil membros em 171 países. A IAS é a principal organizadora da Conferência Internacional de Aids e em julho de 2007 será a anfitriã da 4ª Conferência sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção da Aids em Sidney, na Austrália (www.ias2007.org).

Fonte: IAS

Tradução: Maurício Barreira

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