1/2/2007 – 13h30
A International Aids Society (IAS), associação internacional de pesquisadores do HIV, informou nesta quinta (1) que os estudos do gel-microbicida para combater o HIV em mulheres foram interrompidos. Segundo eles, as pesquisas do Ushercell – um gel com sulfato de celulose e um componente feito à base de algodão, desenvolvido pela farmacêutica canadense Polydex Pharmaceuticals – aumentou os riscos de contágio do HIV e deixou as mulheres (cobaias) mais vulneráveis ao vírus. A pesquisa tem como um dos patrocinadores a Fundação Bill Gates. Outro estudo também foi interrompido por precaução. Os dois estavam fase de testes no continente africano e na Índia.
As pesquisas envolveram 1500 mulheres da África do Sul, Benin, Uganda e Índia. Os riscos foram identificados em alguns locais pela patrocinadora CONRAD, uma agência de cooperação de USAID (órgão americano de combate à Aids). Os testes eram administrados pelo departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade Eastern Virginia Medical School, nos Estados Unidos.
Um estudo na Nigéria também foi interrompido por precaução e envolvia 1700 mulheres, segundo o site do The New York Times. A pesquisa ainda estava em fase inicial e não foram detectados riscos, apesar do gel conter os mesmo compostos do Ushercell.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os resultados dos estudos, na África e na Índia, foram “uma desilusão e um inesperado recuo” nos esforços de encontrar um meio simples de as mulheres tentarem evitar o contágio do HIV através das relações sexuais, informou o site do The New York Times.
“Nós esperamos que a segurança e efetividade de um microbicida ainda possa ser desenvolvida”, disse o diretor da Fundação Bill Gates, Nicholas Hellmann.
A organização patrocina outro estudo de um gel microbicida, tendo como base o tenofovir, remédio anti-retroviral usado no combate da epidemia de Aids.
O assunto será discutido em julho deste ano na Conferência de Aids, em Sidney, Austrália.
Redação da Agência de Notícias da Aids


