IAS 2025: Estudo projeta aumento de infecções por HIV e mortes na África Subsaariana após cortes no financiamento da PrEP pelos EUA

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A interrupção do financiamento dos Estados Unidos para a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) na África Subsaariana poderá causar milhares de novas infecções e mortes relacionadas ao vírus nos próximos anos. Essa é a principal conclusão de um estudo de modelagem matemática apresentado nesta segunda-feira (14) na 13ª Conferência da IAS sobre Ciência do HIV, realizada em Kigali, Ruanda.

O estudo foi conduzido pelo Dr. Jack Stone, professor associado de Modelagem Matemática de Doenças Infecciosas da Universidade de Bristol, e estima que a paralisação do apoio financeiro do PEPFAR — o Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids — poderá gerar 6.671 novas infecções por HIV em apenas um ano, com mais de 10 mil novos casos previstos até 2030, caso o financiamento não seja restabelecido.

O apoio do PEPFAR à PrEP beneficiava quase 700 mil pessoas em 28 países da África Subsaariana até o final de 2024. A interrupção dos recursos ocorreu em janeiro de 2025 e, desde então, já ameaça comprometer significativamente os esforços de prevenção entre grupos populacionais mais vulneráveis à infecção.

Entre os novos casos projetados, mais de 2.900 ocorreriam entre homens gays e bissexuais, e mais de 2.000 entre mulheres trabalhadoras do sexo. O estudo também prevê aumentos expressivos nas taxas de infecção em populações como pessoas trans, usuários de drogas injetáveis e outros grupos-chave em diferentes países da região.

“Cortar o financiamento do PEPFAR à PrEP significa remover cerca de 700 mil pessoas de um dos métodos mais eficazes de prevenção do HIV. Se essa interrupção durar um ano, poderemos ter 10 mil infecções adicionais em cinco anos, a maioria entre homens que fazem sexo com homens e trabalhadoras do sexo”, alertou o Dr. Stone durante a apresentação da pesquisa.

A sessão em que o estudo foi divulgado — intitulada “Modelagem do impacto dos cortes no financiamento do PEPFAR para PrEP entre populações-chave na África Subsaariana” — foi selecionada como destaque pelos organizadores da conferência, refletindo a urgência e gravidade do tema.

A modelagem ainda aponta que, em oito dos 27 países avaliados, o aumento de infecções por HIV entre homens que fazem sexo com homens pode ultrapassar 5%. O mesmo ocorre em dois países para pessoas que usam drogas injetáveis, em cinco para mulheres trans e em seis para mulheres que se dedicam ao trabalho sexual.

Os dados reforçam preocupações levantadas por outras agências e estudos apresentados no evento, que apontam os cortes no financiamento internacional como uma ameaça concreta ao controle da epidemia global de HIV, especialmente em regiões com alta vulnerabilidade social e sanitária.

“É crucial que sejam encontrados novos recursos para garantir a continuidade e a expansão dos serviços de PrEP na África Subsaariana”, defendeu Stone.

A PrEP — quando tomada corretamente — é altamente eficaz na prevenção da infecção pelo HIV. Para especialistas, restringir o acesso a essa ferramenta representa um retrocesso inaceitável diante de décadas de avanços na resposta à epidemia.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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