IAS 2025: Estudo da Fiocruz revela alta aceitação da PrEP injetável no SUS e acende alerta sobre cortes no financiamento global

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Durante a 13ª Conferência Internacional da Aids Society (IAS 2025), realizada em Kigali, Ruanda, o pesquisador da Fiocruz Thiago Torres apresentou resultados preliminares promissores do estudo IMPrEP CAB, que avalia a implementação da PrEP injetável no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é parte do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) e vem acompanhando a aceitação do cabotegravir injetável como estratégia de prevenção ao HIV entre populações-chave no Brasil.

Em entrevista ao ativista e observadore da Thiago Jerohan, o pesquisador destacou que 83% das pessoas entrevistadas entre 18 e 30 anos afirmaram preferir a PrEP injetável à PrEP oral diária. “Nosso objetivo é mostrar ao governo que é possível implementar essas tecnologias no SUS”, afirmou Torres, destacando a alta aceitabilidade como um dos principais indicadores para a futura adoção dessa modalidade pelo sistema público.

Além do cabotegravir, Torres antecipou que o grupo do IMPrEP já está conduzindo uma nova pesquisa com o lenacapavir, medicamento de longa duração que pode ampliar ainda mais o leque de alternativas preventivas. No entanto, ele ressalta que a viabilidade da incorporação dessas tecnologias dependerá de decisões políticas, custo dos medicamentos e definição de prioridades nacionais em saúde pública.

Outro ponto de destaque da participação brasileira na IAS 2025 foi a preocupação com os cortes no financiamento global para a resposta ao HIV, especialmente os promovidos por agências norte-americanas. Thiago Torres moderou uma sessão sobre PrEP oral em que foram apresentados dados alarmantes sobre a redução de recursos em programas de prevenção. “É uma tragédia em termos globais”, alertou.

A presença da Fiocruz na conferência internacional reforça o papel do Brasil na vanguarda da pesquisa em prevenção combinada, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios estruturais e políticos que podem comprometer o acesso equitativo a essas inovações.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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