
Faltando poucos dias para o início da 13ª Conferência da IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2025), especialistas e pesquisadores já acendem o alerta vermelho: os recentes cortes no financiamento internacional estão colocando em risco décadas de conquistas no enfrentamento da epidemia de HIV. A advertência foi feita durante a coletiva de imprensa oficial da conferência, realizada nesta semana, que apresentou uma prévia de estudos que serão discutidos no evento, marcado para acontecer de 13 a 17 de julho, em Kigali, Ruanda, e também de forma virtual.
Organizado pela Sociedade Internacional de Aids (IAS), o encontro é considerado o mais importante do mundo no campo da ciência do HIV. Nesta edição, os impactos das decisões políticas e financeiras sobre a prevenção, o tratamento e a pesquisa serão temas centrais.
“A conferência deste ano acontece em um momento paradoxal”, destacou a presidente da IAS, Dra. Beatriz Grinsztejn, durante a coletiva. “Estamos presenciando avanços científicos que podem transformar a prevenção e o tratamento do HIV, e até nos aproximar da cura. Mas esses mesmos avanços estão ameaçados por cortes massivos de financiamento que podem paralisar ensaios clínicos, atrasar inovações e comprometer o progresso que tanto lutamos para alcançar.”
Estudo alerta para aumento de infecções e mortes na África
Um dos dados mais alarmantes veio de um estudo de modelagem apresentado pelo Dr. Jack Stone, professor da Universidade de Bristol. A pesquisa avalia os impactos da interrupção do financiamento do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids (PEPFAR) à profilaxia pré-exposição (PrEP) na África Subsaariana, que já afetou cerca de 700 mil pessoas desde janeiro de 2025.
Segundo o estudo, essa interrupção pode resultar em mais de 6.600 novas infecções por HIV em apenas um ano e até 10 mil nos próximos cinco anos — com impacto especialmente acentuado entre homens gays e bissexuais, mulheres trans e profissionais do sexo.
“O financiamento da PrEP precisa ser urgentemente retomado. Caso contrário, veremos um retrocesso drástico na prevenção, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, alertou Dr. Stone.
Cortes afetam diretamente populações vulneráveis
O presidente eleito da IAS, professor Kenneth Ngure, também enfatizou os efeitos práticos e imediatos da redução no financiamento, especialmente nos países africanos. “Os cortes foram profundamente sentidos pelos milhões de pessoas que dependem de serviços de testagem, prevenção e tratamento do HIV, além de pesquisadores e profissionais de saúde que lutam para conter a pandemia”, afirmou.
Além do estudo sobre a PrEP, a coletiva destacou que diversos trabalhos apresentados na conferência trarão evidências do colapso de serviços essenciais, da interrupção de pesquisas e do aumento de infecções em regiões como África e América Latina.
Um chamado à ação
A coletiva de imprensa também reforçou a necessidade urgente de reverter os cortes e garantir a continuidade dos investimentos em ciência, saúde e equidade.
“É mais importante do que nunca ouvir os pesquisadores, cientistas e comunidades afetadas pelo HIV”, concluiu Grinsztejn.
A IAS 2025 acontece entre os dias 13 e 17 de julho, com programação presencial em Kigali, Ruanda, e participação online. O evento reunirá especialistas do mundo inteiro para discutir as mais recentes descobertas científicas e os desafios políticos e sociais na resposta global ao HIV. Outras informações estão disponíveis em: https://www.iasociety.org/conferences/ias2025.
Redação da Agência de Notícias da Aids


