HTLV Conferência: ‘Estamos mais atentos ao HTLV; maior investimento pode acelerar consideravelmente as pesquisas’, afirma a ativista Adjeane Oliveira

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Durante os dias 2 a 5 de junho, a cidade de Londres sediou a HTLV Conference 2024. A conferência terminou com o anúncio de que em 2025 o Brasil sediará o encontro.

Durante os dias 2 a 5 de junho, a cidade de Londres sediou a HTLV Conference 2024, com a pré-conferência iniciando em 1º de junho. A Agência Aids teve a oportunidade de entrevistar Adjeane Oliveira, representante do Brasil nesta importante conferência global e também responsável pela ONG ‘HTLVida’, em Salvador. A conferência, que ocorre anualmente, reúne líderes, cientistas, gestores e ativistas de todo o mundo para discutir os desafios enfrentados na resposta ao HTLV e compartilhar estratégias. Adjeane falou sobre os principais temas discutidos durante o evento e a perspectiva do movimento social. 

O HTLV (Vírus Linfotrópico de Células T Humanas) é conhecido como um vírus ‘primo’ do HIV. Ele que pode infectar células do sistema imunológico, causando doenças e doenças graves em algumas pessoas. As principais formas de transmissão são: pelo sangue, como em transfusões sanguíneas ou compartilhamento de seringas, de mãe para filho, e por contato sexual. Uma curiosidade é que muitas pessoas infectadas pelo HTLV nunca desenvolvem sintomas, vivendo normalmente sem saber que possuem o vírus.

Segundo a ativista, uma das discussões mais impactantes da conferência foi sobre a prevenção da transmissão vertical do HTLV, a que ocorre de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação. Ela também destacou com entusiasmo a participação do Ministério da Saúde do Brasil, que apresentou os avanços do país em políticas públicas relacionadas ao HTLV.

“O Brasil está à frente em vários aspectos, especialmente na questão da notificação compulsória em gestantes implementada este ano, medida que nos trará um grande impacto nos próximos anos”, celebrou. 

Adjeane contou que ativistas visitaram um hospital de referência em Londres, especializado no atendimento às pessoas com HTLV. “Algo de primeiro mundo, tudo organizado e um cuidado integral que precisamos trazer para cá. Eles têm menos pacientes que nós, mas há muito que podemos melhorar com base no que vimos lá”.

Na conferência, foi divulgado um estudo recente do Japão que indica que indivíduos infectados com HTLV estão manifestando menos sintomas graves, como leucemia linfoma. Isso é atribuído à política de não amamentação implementada pelo Governo Japonês há anos.

“Só de as pessoas não adoecerem já é um grande avanço”, destacou Adjeane, reforçando a importância de o Brasil estar atento a experiências como essa.

Avanços em pesquisas e novas tecnologias

O movimento social brasileiro na luta contra o HTLV reforçou suas demandas, enfatizando a importância da inclusão do vírus entre as prioridades dos líderes mundiais e da comunidade científica. O apelo foi claro: “Não desistam do HTLV!” Além disso, os ativistas pressionaram pela disponibilização de um teste rápido capaz de avaliar a probabilidade de adoecimento do paciente.

A ativista descreveu o sistema de assistência social em Londres como exemplar. As pessoas afetadas pelo HTLV na cidade têm acesso a serviços especializados de alta qualidade, transporte gratuito e adaptações residenciais para necessidades específicas, como cadeiras de rodas motorizadas. No entanto, ela ressaltou que o acolhimento humanizado no Brasil é ainda mais notável. “Sentimos que os médicos de outros países estavam distantes das pessoas com HTLV, enquanto no Brasil temos um cuidado mais próximo e humanizado”, explicou.

A ativista considera que essa conferência representou uma porta de entrada para novas oportunidades na criação de organizações sociais, não apenas em Londres, mas em todo o mundo. No entanto, ela observou que o preconceito e a falta de informação sobre o HTLV ainda são desafios significativos globalmente. “Com mais investimentos, essas pesquisas podem acelerar significativamente”, avaliou.

“Estou esperançosa com o olhar mais cuidadoso que começamos a ter sobre o HTLV. Em breve, teremos ainda mais notícias maravilhosas”, finalizou.

A conferência terminou com o anúncio de que em 2025 o Brasil sediará o encontro.

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

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