HPV vai além da transmissão sexual: Ginecologista Carolina Orlandi destaca importância da vacinação e da imunidade na prevenção

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Embora o Papilomavírus Humano (HPV) seja amplamente conhecido como uma infecção sexualmente transmissível, suas formas de transmissão vão além do contato sexual. A ginecologista Carolina Orlandi alerta que, apesar de aproximadamente 99% dos casos estarem relacionados à via sexual, há registros de infecções adquiridas por outras formas, como contato com objetos contaminados e durante o parto, quando a mãe é portadora do vírus.

“Muitas pessoas não sabem, mas o HPV pode ser transmitido também por vias não sexuais, inclusive em crianças. É importante ampliar essa discussão para que a prevenção seja mais eficaz e alcance mais pessoas”, afirma a médica.

Segundo Carolina, o HPV é um vírus com mais de 100 subtipos, divididos entre os que afetam a pele — causando verrugas comuns — e os que afetam mucosas genitais e orais. Alguns tipos, como o 16 e o 18, são considerados de alto risco e estão associados ao desenvolvimento de cânceres como o de colo do útero, anal, peniano e orofaríngeo.

Outro fator preocupante, de acordo com a especialista, é que o vírus muitas vezes se comporta de forma silenciosa, sem causar sintomas. “Isso dificulta o diagnóstico precoce e facilita a disseminação do HPV. Por isso, é fundamental investir em informação, vacinação e rastreamento com exames preventivos.”

A médica reforça que, além da vacinação, manter o sistema imunológico fortalecido é essencial. “Uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais, associada a hábitos saudáveis, pode contribuir para uma resposta imunológica mais eficiente e ajudar o corpo a lidar com o vírus”, explica.

A vacinação contra o HPV, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é indicada para meninas e meninos a partir dos 9 anos de idade. A imunização protege contra os principais tipos do vírus, especialmente os que têm potencial cancerígeno.

“A vacina é segura, eficaz e salva vidas. Quanto mais cedo for aplicada, maiores são as chances de proteção antes do contato com o vírus”, pontua Carolina.

Com 22 anos de experiência na área da saúde, a Dra. Carolina Orlandi é uma das referências nacionais em ginecologia e saúde da mulher. Atualmente é coordenadora técnica no projeto PROADI-SUS, contribuindo para a revisão de protocolos do Ministério da Saúde e a qualificação do atendimento ginecológico em todo o país.

“A informação é uma ferramenta poderosa na luta contra o HPV. Entender como o vírus pode ser transmitido e quais estratégias estão ao nosso alcance é fundamental para reduzir sua incidência e suas complicações”, conclui.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações

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