Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer é uma importante causa de mortalidade e poderia ser evitado com a redução da exposição a fatores de risco e pela vacinação contra agentes oncogênicos, como o papilomavírus humano (HPV) e o vírus da hepatite B. A descoberta da relação entre o HPV e o câncer de colo do útero rendeu o Prêmio Nobel de Medicina ao pesquisador responsável.
O HPV é uma infecção sexualmente transmissível que pode ser prevenida com preservativos e com a vacinação, que tem alta eficácia contra os oncogênicos mais importantes (subtipos 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58).
Espera-se que a imunização também possa diminuir a incidência dos cânceres de orofaringe relacionados ao vírus. A OMS tem a meta de vacinar contra o HPV 90% das meninas de até 15 anos de idade até 2030. Espera-se que essa medida reduza a incidência dos tumores de orofaringe associados à infecção.
Quem tem mais risco e por que os casos mudaram
Classicamente, os carcinomas de orofaringe acometem homens com mais de 60 anos, têm como fatores de risco o tabagismo, em especial quando associado ao etilismo. Nas últimas décadas, porém, observou-se um aumento da incidência dos cânceres das amígdalas palatinas e da base da língua em pacientes mais jovens, não fumantes e do sexo feminino, tendo como provável etiologia a infecção persistente pelo HPV de alto risco, sobretudo o HPV-16.
Estudos nesses tumores confirmaram sua presença em até 70% dos casos.
Prevenção e diagnóstico precoce ainda são desafios
Infelizmente, ainda não há um método de rastreamento populacional eficaz para detectar precocemente a infecção persistente pelo HPV na boca e na orofaringe, como ocorre no preventivo ginecológico. Por isso, o aumento da cobertura vacinal, o avanço das pesquisas sobre a infecção oral pelo HPV e o desenvolvimento de métodos de diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir a incidência dos carcinomas de orofaringe.
Em comparação com os tumores relacionados ao tabagismo e ao etilismo, os carcinomas HPV-positivos têm melhor resposta ao tratamento e um prognóstico mais favorável. Diante disso, é importante ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde e da população sobre a participação do HPV nos cânceres de cabeça e pescoço, promovendo ações de prevenção e de diagnóstico precoce de lesões nesta região.



