Farmacêutica MSD entra no combate à doença com imunizante disponível para ambos os sexos e que pode alcançar cerca de 90% de proteção contra os cânceres e outras doenças relacionadas ao HPV

O Papilomavírus humano (HPV) é um vírus altamente transmissível, cujo contágio acontece por meio do contato com a pele ou mucosas infectadas, principalmente durante relações sexuais. “É uma das infecções mais comuns. Estima-se que mais de 80% das mulheres e homens podem adquirir HPV até os 45 anos”, fala Márcia Datz Abadi, diretora médica da farmacêutica MSD Brasil.
Normalmente associado ao câncer do colo do útero, sendo relacionado a 99% dos casos da doença – o terceiro tipo com maior incidência entre as mulheres no Brasil –, ele também pode levar ao desenvolvimento da patologia em outras regiões do corpo em ambos os sexos. Pênis, ânus, vulva, vagina e orofaringe podem ser acometidos pela doença oriunda da infecção pelo HPV.
A boa notícia é que, apesar do cenário preocupante, há algumas medidas que ajudam a evitar o contágio com os tipos mais perigosos do vírus. Atualmente, a vacinação é uma estratégia que deve vir associada a exames médicos preventivos e um diagnóstico precoce.
“A vacina contra o HPV é a medida mais eficaz de se prevenir a infecção por tipos virais de alto risco e, consequentemente, o desenvolvimento de câncer relacionado ao HPV em ambos os sexos. Além disso, a detecção precoce de lesões por meio de consultas regulares e exames de rastreamento, como o papanicolau, para o câncer cervical, e anuscopia, para o de câncer de ânus, em populações de risco, são importantes para a redução e prevenção do impacto da doença”, destaca Márcia.
Proteção ampliada
Com mais de 200 tipos conhecidos, o HPV tem ao menos 14 variedades consideradas de alto risco para o desenvolvimento de câncer – dentre estes, os tipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero e lesão cervical pré-cancerosa. Já os tipos 6 e 11 estão presentes em 90% das verrugas genitais.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV, disponível para meninas e meninos de 9 a 14 anos de idade. Pessoas imunossuprimidas de até 45 anos e, recentemente, pessoas que sofreram violência sexual até 45 anos também podem receber a vacina pela rede pública. Já a vacina nonavalente protege contra nove tipos de HPV, oferecendo uma proteção de até 90% dos casos de cânceres e outras doenças relacionadas ao HPV. Ela está disponível para pessoas de 9 a 45 anos de idade, de ambos os sexos, na rede privada.
Apesar da maior incidência de câncer relacionado ao HPV acontecer entre as mulheres, indivíduos do sexo masculino também podem – e devem – se proteger contra o vírus por meio da imunização. “Os homens podem transmitir o vírus e precisam ser vacinados, pensando no coletivo, e também desenvolvem lesões e cânceres relacionados ao HPV, como o anal”, orienta a médica.
Embora a maioria das infecções por HPV seja transitória e o sistema imunológico consiga eliminá-las naturalmente, em alguns casos, ela pode se tornar persistente, levando ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas que podem progredir para um câncer se não forem tratadas.
No Brasil, estima-se que haja entre 9 e 10 milhões de pessoas com HPV e que surjam 700 mil novos casos por ano. “A infecção pelo vírus pode ser assintomática, podendo se manter latente por mais de 10 anos sem apresentar qualquer sintoma. Apenas 5% das pessoas apresentam lesões visíveis, como verrugas, por isso, são essenciais o acompanhamento médico e a realização de exames preventivos”, aponta.
Um ato de autocuidado
A vacinação é uma das estratégias globais propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para acelerar a eliminação do câncer de colo de útero como um problema de saúde pública no mundo. Uma das metas propostas aos países é chegar em 2030 com 90% das meninas de até 15 anos imunizadas. Hoje, sabe-se que o melhor momento da vacinação contra o HPV é antes do contato com o vírus.
“De nenhuma forma a vacina contra o HPV estimula o início da vida sexual. Ela apenas protege para um futuro sem câncer. Além disso, não é o sexo que leva ao desenvolvimento do câncer, mas sim a infecção pelo HPV, que pode acarretar, se não evitada com vacinação ou detecção precoce de lesões, os cânceres relacionados”, orienta Márcia.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que, entre 2023 e 2025, cerca de 17 mil mulheres desenvolvam câncer do colo do útero a cada ano, correspondendo a um risco de 15,38 casos a cada 100 mil. Portanto, se vacinar – em qualquer idade – é exercer o autocuidado e investimento na própria saúde.
“Pessoas sexualmente ativas ou que já tenham se infectado anteriormente também podem se beneficiar da imunização. É possível se proteger contra tipos com os quais ainda não se teve contato ou mesmo aumentar a resposta imunológica àqueles que tiveram contato anteriormente”, aponta a especialista.


