13/11/2014 – 16h
Um homem que sofre de uma leucemia agressiva está agora em remissão após médicos usarem o vírus HIV para alvejar e matar células cancerígenas.
Marshall Jensen foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda, um câncer das células brancas do sangue, logo depois de se casar em 2012.
Jensen, 30, e sua família deixaram sua casa em Utah e passaram os dois anos seguintes viajando pelos Estados Unidos em busca de um tratamento contra o câncer, relata a emissora KSL.
Na Filadélfia, Jensen ficou sabendo de um tratamento raro, experimental, aproveitando da capacidade do vírus HIV para inserir novos genes nas células T do paciente, a fim de matar o câncer de outra forma incurável.
O tratamento é o resultado de duas décadas de pesquisas por Carl June e sua equipe da Penn Medicine, que produziu um estudo sobre os “assassinos específicos de leucemia”, publicado no “New England Journal of Medicine”.
“É um vírus desativado”, explicou June. “Mas ele retém a característica essencial do HIV, que é a capacidade de inserir novos genes nas células.”
A terapia trabalha levando milhares de milhões de células T de um paciente com câncer. O DNA nas células é, então, alterado com uma forma inofensiva do vírus HIV.
As células são programadas para reconhecer e matar o câncer e são colocadas de volta no corpo da pessoa.
June disse que as células agem como “serial killers” e continuam a permanecer latentes no corpo, a menos que o câncer retorne. Sua equipe descobriu que uma das células T modificadas pode matar cerca de mil células tumorais.
O tratamento tem sido bem-sucedido até agora e Jensen voltou para casa na quinta-feira depois de ter anunciado que ele está em remissão.
Um total de 30 crianças e adultos receberam o tratamento no estudo de June. Desses, 23 estão vivas e 19 já alcançaram a remissão completa.
June vai começar os testes em pacientes com câncer de pâncreas no verão de 2015.


