
A Agência Aids acaba de lançar um novo episódio da websérie “HIV 40 anos, Aids e Suas Histórias: Transmissão Vertical, Um Assunto Proibido”, focando no impacto e nos desafios da transmissão vertical do HIV no Brasil — a transmissão do vírus da pessoa gestante para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação. No centro da discussão está Cristina Abbate, coordenadora da Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, cuja atuação tem sido crucial na luta contra o HIV e na eliminação dos casos de transmissão vertical na capital paulista.
Ao longo das últimas décadas, Cristina liderou iniciativas que ajudaram a diminuir significativamente novas infecções em São Paulo, em especial na transmissão vertical. Ela destaca que um monitoramento eficaz do HIV nas gestantes exige um sistema de saúde bem estruturado, principalmente nas unidades básicas, popularmente conhecidas como “postinhos de saúde”, onde começa o atendimento pré-natal essencial para a prevenção do HIV.
Cristina explica que, em São Paulo, onde são realizados cerca de 120 mil partos anuais, menos de 500 gestantes têm HIV. No entanto, o acompanhamento dessas gestantes é complexo. “Quando uma gestante falta a um exame ou consulta, é necessário notificar e localizar essa paciente, tanto no sistema público quanto nos convênios, para garantir que ela receba o acompanhamento adequado”, comenta Cristina.
Com vasta experiência no combate à aids, Cristina trabalhou no primeiro Serviço de Assistência Especializada em IST/Aids de São Paulo, em Sapopemba, e assumiu a coordenação geral do então Programa Municipal de DST/Aids pela primeira vez em 2003. Em 2017, ela reassumiu a coordenação, agora nomeada Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, e tem se dedicado a articular políticas de prevenção, tratamento e enfrentamento ao estigma.
Durante o episódio, Cristina também refletiu sobre o histórico de transmissão vertical do HIV no Brasil. Nos primeiros anos da epidemia, as condições clínicas das crianças infectadas eram graves, e muitas não sobreviviam. A criação de casas de apoio foi fundamental para essas crianças, oferecendo não apenas abrigo, mas também socialização e suporte em um contexto de estigma e preconceito intensos.
Cristina afirma que o Brasil pode eliminar a transmissão vertical do HIV, como São Paulo já fez. No entanto, ela destaca que há barreiras a serem superadas, com lideranças comprometidas com a questão. “É essencial que haja profissionais capacitados e vontade política para priorizar essa pauta de saúde pública”, conclui.
Com mais de 30 anos de dedicação à causa, Cristina Abbate é um exemplo de liderança na resposta à aids em São Paulo, promovendo avanços e inspirando a continuidade dessa luta.
Websérie reúne histórias de pessoas vivendo com HIV via transmissão vertical
O primeiro episódio da websérie “HIV 40 Anos: Aids e Suas Histórias – Transmissão Vertical, um Assunto Proibido” estreou no YouTube e foi lançado no Cinesesc em 1º de dezembro de 2023, Dia Mundial de Luta contra Aids.
A série, composta por seis capítulos, revive os desafios da transmissão vertical do HIV no Brasil através das memórias de indivíduos que estiveram na linha de frente na luta contra a aids, incluindo a Dra. Marinella Della Negra, responsável pelo atendimento a crianças vivendo com HIV no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e Maria Cristina Abbate, líder da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo.
O primeiro vídeo é um compilado de toda a série, narrando as histórias de quatro pessoas que vivem com HIV transmitido verticalmente (de mãe para filho). Elas nasceram na década de 1990, nos primeiros anos da epidemia de aids: Marília Nascimento, Jennifer Besse, Gugãa Taylor e Diego Vieira.
Cada um desses personagens relata como descobriu seu diagnóstico, os desafios de viver com HIV desde a infância até a juventude, e a batalha diária contra o estigma e o preconceito. São relatos de superação e resiliência, momentos de angústia, revolta e reconstrução da vida.
A jornalista Roseli Tardelli concebeu e conduziu as entrevistas para a websérie. “Estou muito feliz por ter conseguido registrar mais um desafio importante que o HIV apresenta para nós. As entrevistas foram conduzidas com profundo respeito por todos os entrevistados. Espero contribuir para reduzir o estigma e a discriminação enfrentados por esses jovens infectados pela transmissão vertical do HIV, que ainda persistem no mundo. Quero agradecer aos apoiadores e a todos os profissionais envolvidos neste projeto”, afirmou Roseli Tardelli.
A websérie “HIV 40 Anos: Aids e Suas Histórias” contou com o apoio do Senac São Paulo, Sesc São Paulo, da farmacêutica GSK/ViiV, da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo e da Unesco.
Assista na íntegra:
Redação da Agência de Notícias da Aids



