06/02/2014 – 18h00
Se estivesse vivo, o cartunista Henfil teria feito 70 anos nessa quarta-feira (5). Batizado Henrique de Souza Filho, ele foi um dos artistas mais populares de seu tempo. Criador de personagens que se eternizaram no imaginário brasileiro, como a Graúna, o bode Francisco Orellana, o cangaceiro Zeferino, os Fradinhos, Henfil era hemofílico e morreu devido a complicações da aids – ele foi infectado pelo HIV em transfusões de sangue.
De acordo com a Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), na década de 70, o tratamento de hemofilia consistia em infusões de crioprecipitado, derivado de sangue de onde se obtinha o fator VIII, responsável pela coagulação do sangue. Esta era a única forma de o organismo repor a substância plasmática necessária para contenção das hemorragias. Como não havia nenhum controle ou portaria de segurança transfusional para detectar doenças virais dos doadores, houve uma grande infecção de pacientes em todo o mundo, sobretudo nas pessoas com hemofilia. Novas técnicas começaram a ser desenvolvidas com a descoberta e os estudos sobre o HIV e as hepatites.
A partir da década de 80, o Brasil passou a distribuir medicamentos industrializados seguros, por serem submetidos a processos de inativação viral. Os pacientes eram tratados somente quando ocorriam as hemorragias e por isto não podiam ter uma vida ativa, praticar esportes e tinham muitas restrições na vida diária, porque a hemofilia, se não tratada da maneira adequada, desenvolve sequelas articulares que podem levar até à invalidez.
“Com a conquista da profilaxia em 2011, por meio de ações da Federação Brasileira de Hemofilia em parceria com a Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados, junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União, as pessoas com hemofilia passaram a ter qualidade de vida, independência e autonomia”, diz Tania Pietrobelli, presidente da FBH.
O Ministério da Saúde distribui hoje, por meio do SUS, 50 milhões de unidades internacionais do medicamento por mês, para os pacientes com hemofilia cadastrados nos 183 centros de tratamento espalhados pelo Brasil. Esta distribuição coloca o país, que tem a terceira maior população do mundo de pessoas com coagulopatias, como país que mais avançou no mundo na aquisição de medicamentos para hemofilia nos últimos três anos. “Mesmo com a grande oferta de medicamentos, a profilaxia ainda é pouco conhecida e prescrita às pessoas com hemofilia. Um dos propósitos da Federação é garantir o acesso de todos ao tratamento preventivo, o que garante vida plena aos pacientes”, comenta Mariana Battazza Freire, vice-presidente da FBH.
Saiba mais:
A hemofilia é uma disfunção crônica, genética, não contagiosa, sendo que 1/3 dos casos ocorrem por mutação genética e 2/3 por hereditariedade. Existem dois tipos, que podem ser classificados entre leve, moderada e grave. A hemofilia A é a mais comum e representa 80% dos casos. Ela ocorre devido à deficiência do Fator VIII (FVIII) de coagulação no sangue.
Redação da Agência de Notícias da Aids



