Há 35 anos, a Assembleia Geral da ONU e a OMS instituíram o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a Aids

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Desde 1987, todos os anos, no dia 1 de dezembro é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, uma data que une forças universais para a conscientização sobre o vírus. Criado pela Organização Mundial de Saúde, o dia se estabeleceu como a primeira data internacional para a saúde global.

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi pautado pela primeira vez em agosto de 1987, mas a data oficial foi escolhida pelos jornalistas e primeiros oficiais de informação pública do Programa Global Contra o HIV na OMS, James W. Bunn e Thomas Netter. James explicou em uma entrevista para a rádio norte-americana National Public Radio que ele e Thomas sugeriram que fosse celebrado no primeiro dia do mês de dezembro, acreditando que a época escolhida atrairia bastante atenção das redes de comunicação por estar perto do período eleitoral presidencial norte-americano e das festas de fim de ano. 

Gabriel Lopes, historiador do Departamento de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde da Fiocruz explica que a criação do dia foi um passo muito grande na época, pois existia estigma e desinformação sobre o assunto, mas que era necessário ações rápidas por conta dos grande números de pessoas infectadas e dos óbitos. “As pessoas não gostavam de falar sobre aids, além da falta de conhecimento sobre o que era HIV, existiam estereótipos de que somente homens gays viviam com o vírus. Quando a OMS estabeleceu o Dia Mundial trouxe também políticas de saúde para que a população se educasse sobre o que era o vírus e quais eram as formas de transmissão”. 

Junto com a fundação da data, a Organização Mundial de Saúde produziu um programa global para incentivar políticas públicas de saúde com base nas evidências científicas e desmistificação da aids. O historiador diz que a realização desses atos em favor do conhecimento foi revolucionário e um ponto chave para que a prevenção fosse discutida. “Este programa foi muito importante para que as nações começassem a se unir e a trabalhar em conjunto para combater o HIV, com esse projeto a OMS conseguiu arrecadar fundos para implementar estratégias mundiais para que pesquisas científicas aprofundadas fossem feitas”. 

Gabriel também explica que anualmente são apresentados temas para as campanhas do combate à aids, são utilizados discussões atuais e globais para que ocorram as reflexões nesta comemoração. “Os temas divulgados são de debates específicos que são pautados durante o ano, todos dizem respeito a aids, de forma a trazer o problema em questão à tona e nos fazer pensar sobre a solução para ele, de forma corajosa, justa e saudável”. 

O Laço Vermelho 

O laço vermelho foi criado em 1991, pela Visual Aids, grupo artístico de Nova Iorque em homenagem aos amigos e colegas mortos ou infectados pelo vírus, seu significado demonstrava sensibilização e apoio às pessoas que vivem com HIV/aids, e já naquela época foi amplamente usado pelos artistas americanos como forma de expressão visual e suporte. 

Gabriel Lopes diz que a cor vermelha foi escolhida para convencer a população de que o HIV era importante para todos e que a cor é associada à paixão, ao coração e ao amor. “O grupo não quis associar a aids com cores que lembravam a comunidade gay, como o rosa e o arco-íris, eles queriam passar a ideia de que era uma causa para qualquer pessoa. A escolha do vermelho é muito ligado ao amor e à atração, além de ser uma cor marcante para chamar atenção sobre o assunto”. 

Diego Krausz, comunicador do HIV, comenta que o Laço Vermelho, para além de um símbolo, é mais uma forma de trazer conscientização para as pessoas. “O Laço Vermelho deve nos unir em torno dos mesmos objetivos, que é estimular a testagem para diagnóstico, a prevenção e o tratamento do HIV, além de ser uma forma de superar o preconceito”. 

Brasil e o Dezembro Vermelho 

Com a ampliação da pauta e para que houvesse maior visibilidade no Brasil, em 2017, foi criado o Dezembro Vermelho, instituído pela Lei nº 13.504/2017 como o mês inteiro de conscientização e luta contra o HIV/aids.

As ações do Dezembro Vermelho buscam sensibilizar a população quanto à importância do acesso à informação adequada sobre HIV, sobre a evolução dos métodos de prevenção e de tratamento. Diversos estudos já demonstraram, por exemplo, que níveis indetectáveis de HIV no organismo de uma pessoa que vive com o vírus e esteja em tratamento antirretroviral significa que o vírus deixa de ser transmitido a outras pessoas. Este é um passo importante para que se consiga cumprir o compromisso mundial de acabar com a epidemia de aids enquanto ameaça à saúde pública até 2030.

Segundo Gabriel Lopes, a incorporação do Dezembro Vermelho no país foi importante para que houvesse um foco maior para chamar atenção da população brasileira para o cuidado e a precaução. “No Brasil, existem meses específicos para cada incentivo da área da saúde com focos para alertar a população e o Dezembro Vermelho foi criado para chamar a atenção com palestras, seminários e campanhas, muitas vezes a população só ouve falar da conscientização apenas no mês de dezembro, então foi importante a criação desse projeto para que trouxesse mais visibilidade e mais ações que não acontecem no resto do ano”. 

Lucas Raniel, influenciador digital e comunicador do HIV, afirma que o mês de dezembro é uma comemoração, mas ao mesmo tempo é uma resistência da sociedade. “É um momento de exigência política para que nossas vidas sejam respeitadas e para que nossa voz alcance mais pessoas, porque muitas vezes a causa é lembrada apenas em dezembro por conta do mês ou do dia, precisamos lembrar dos projetos e das ações todos os dias para que mais vidas sejam alcançadas, não somente em dezembro, mas no ano todo”, finaliza. 

 

Lygia Cavalcante 

 

Dicas de entrevista

 

Gabriel Lopes 

Email: gabriel.lopes@fiocruz.br

 

Lucas Raniel

Instagram: @lucasraniel_

 

Diogo Krausz 

Instagram: @diegokrausz 

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