13/01/2014 – 17h20
– Atualizado em 14/01/2014 – 10h30
Há quase dois anos atuando no Largo do Arouche, no centro de São Paulo, o Programa Quero Fazer foi impedido de realizar ali os testes de HIV neste domingo (12). A iniciativa, da ONG Espaço de Atenção e Prevenção da Aids (Epah), consiste num trailer estacionado em lugares estratégicos, que funciona como uma espécie de posto de saúde, onde as pessoas interessadas em saber se são soropositivas são atendidas por profissionais capacitados. Pela primeira vez, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) proibiu o veículo de estacionar no local e, consequentemente, de trabalhar.
Segundo contou o diretor do Epah, José Araújo Lima, a equipe chegou para trabalhar e foi surpreendida com a decisão da GCM de que o trailer não tinha autorização para estacionar ali. “Nosso trabalho é realizado em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e o que a GCM fez foi absurdo”, protestou Araújo. “O trailer já faz parte da rotina da praça. Virou, além de posto de testagem, um ponto de encontro e de distribuição de preservativos”, acrescentou. “Encaminhamos o caso para o Programa Municipal de DST/Aids.”
Cely Tanaka, do setor de Articulação com a Sociedade Civil do Programa de DST/Aids, afirma que houve um problema de autorização sobre o local onde o trailer podia estacionar. Segundo ela, o Programa entrou em contato com a CGM nesta segunda-feira (13) e ouviu deles a explicação de que a Prefeitura concedeu ao Quero Fazer um espaço equivalente a três vagas de estacionamento ao redor do Largo do Arouche. “Como essas vagas estavam frequentemente ocupadas por outros carros, o trailer acabava sendo estacionado dentro do largo. O que a GCM nos passou é que o comandante do local questionou, desta vez, o fato de o veículo estar parado num local sem autorização em vez de estar nas vagas autorizadas”, contou Cely.
A técnica ressalta que o Programa já pediu à GCM que a ação não seja mais impedida e, à subprefeitura da Sé, que autorize o estacionamento do trailer dentro do largo, quando as vagas ao redor estiverem ocupadas ou que se marque as três vagas a ele destinadas com cones.
No Facebook houve manifestações contra a ação da GCM, um deles do ativista Beto de Jesus, coordenador do projeto Quero Fazer: “Prefeito Haddad, por gentileza, me responda: por que a GCM está impedindo o Programa Quero Fazer de fazer testes HIV no Largo do Arouche?”
Beto chamou atenção para a importância desta ação. No dia 5 de janeiro, por exemplo, a ação aconteceu debaixo de fortes chuvas e, ainda assim, 32 pessoas fizeram o teste. “Dessas seis jovens foram diagnosticados com o vírus da aids. A vida deles mudou, pois agora começarão o tratamento e serão cuidados. Eu me pergunto, prefeito, quantos hoje poderíamos estar ajudando e a GCM, arbitrariamente, não está deixando? Penso que a praça é do povo, penso que um governo democrático popular deveria estar preocupado com a saúde dos nossos jovens. O que mudou?”, questionou.
O Quero Fazer já realizou mais de 23 mil testes de HIV em seus trailers estacionados em São Paulo, Rio, Recife, Fortaleza e Brasília.
Em nota enviada para a Agência de Notícias da Aids por e-mail, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Segurança Urbana confirmou as informações do Programa Municipal de DST/Aids.
Segundo a nota, "o Programa Quero Fazer não possuía autorização da subprefeitura da Sé para estacionar o veículo no Largo do Arouche. Como a solicitação do documento é um procedimento padrão da Guarda Civil Metropolitana, não foi possível permitir a permanência dos mesmos. A Secretaria Municipal de Saúde já solicitou à Subprefeitura da Sé a devida autorização e aguarda sua publicação. Enquanto isso, já está garantido o estacionamento do veiculo na área próxima à banca de jornal".
Talita Martins



