A segunda rodada do Grupo G da Copa do Mundo de 2026 acontece neste domingo (21) e pode começar a definir os rumos da chave. Às 16h (horário de Brasília), Bélgica e Irã se enfrentam em Los Angeles após estreias positivas, em um duelo que pode deixar o vencedor muito próximo das oitavas de final. Mais tarde, às 22h, em Vancouver, Nova Zelândia e Egito entram em campo pressionados pela necessidade de pontuar para manter vivas as chances de classificação.
Enquanto a disputa acontece nos gramados da América do Norte, os quatro países também representam realidades bastante distintas no enfrentamento ao HIV, desde sistemas consolidados de prevenção até desafios relacionados ao diagnóstico tardio e ao estigma.
Juntos, Bélgica, Irã, Nova Zelândia e Egito somam aproximadamente 110 mil pessoas vivendo com HIV. Embora os números sejam modestos quando comparados aos de outras regiões do mundo, os desafios enfrentados por cada país mostram como a epidemia continua assumindo diferentes formas dependendo do contexto social, econômico e cultural.
Bélgica aposta em prevenção para manter queda das infecções
A Bélgica chega à segunda rodada como uma das seleções mais tradicionais do grupo e também como um exemplo de sucesso na resposta ao HIV na Europa Ocidental.
O país registra cerca de 19 mil pessoas vivendo com HIV e alcançou resultados próximos das metas globais do Unaids. Mais de 95% das pessoas conhecem seu diagnóstico, a grande maioria recebe tratamento e praticamente todos os pacientes em terapia antirretroviral atingem supressão viral.
Nos últimos anos, a Bélgica observou uma queda consistente dos novos diagnósticos, impulsionada pela ampliação da PrEP, pela oferta de testagem gratuita e pela estratégia de tratamento imediato após o diagnóstico. Ainda assim, homens que fazem sexo com homens continuam representando a maior parcela das novas infecções.
A seleção belga tenta repetir em campo a consistência demonstrada por seu sistema de saúde: eficiência, planejamento e capacidade de adaptação diante de novos desafios.
Irã enfrenta avanços e barreiras impostas pelo estigma
Adversário da Bélgica nesta rodada, o Irã apresenta uma realidade mais complexa. Estima-se que cerca de 24 mil pessoas vivam com HIV no país. Apesar dos avanços na ampliação do tratamento, especialistas apontam que uma parcela significativa das pessoas infectadas ainda desconhece seu diagnóstico.
Historicamente associada ao uso de drogas injetáveis, a epidemia iraniana passou por mudanças importantes nos últimos anos. A transmissão sexual tornou-se a principal forma de infecção, especialmente entre jovens adultos e mulheres.
O país foi pioneiro no Oriente Médio na adoção de programas de redução de danos para usuários de drogas, incluindo distribuição de seringas e terapia de substituição por opioides. No entanto, o estigma social continua dificultando a procura por testagem e serviços de prevenção.
O confronto com a Bélgica coloca frente a frente duas seleções que também simbolizam diferentes estágios da resposta ao HIV: uma epidemia amplamente controlada e outra ainda marcada pela subnotificação e pelo diagnóstico tardio.
Nova Zelândia amplia prevenção entre populações-chave
No segundo jogo da rodada, a Nova Zelândia entra em campo tentando conquistar sua primeira vitória no Mundial.
Fora do futebol, o país é reconhecido internacionalmente pela forte atuação em saúde pública. Aproximadamente 4 mil pessoas vivem com HIV em território neozelandês, uma das menores populações soropositivas entre os participantes da Copa.
A ampla oferta de PrEP, a testagem regular e o acesso universal ao tratamento contribuíram para reduzir significativamente as novas infecções na última década. O país também foi um dos primeiros da região Ásia-Pacífico a incorporar de forma ampla o conceito de “indetectável=intransmissível” nas campanhas públicas de prevenção.
Apesar dos avanços, persistem desigualdades importantes. Comunidades indígenas maori e populações migrantes ainda enfrentam maiores barreiras para acessar serviços de saúde e prevenção.
Egito busca ampliar diagnóstico e acesso ao tratamento
O Egito chega à segunda rodada carregando uma das maiores populações do grupo. Embora a prevalência nacional permaneça baixa, o número de pessoas vivendo com HIV tem aumentado ao longo dos últimos anos. Estima-se que cerca de 63 mil egípcios convivam com o vírus.
Organizações internacionais apontam que o principal desafio é a identificação precoce dos casos. O estigma social, a discriminação e o medo de exposição continuam afastando muitas pessoas dos serviços de testagem.
As autoridades de saúde ampliaram nos últimos anos os programas de diagnóstico e tratamento, mas a cobertura ainda está abaixo dos níveis observados em países europeus ou na Oceania. Populações-chave, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas, permanecem entre os grupos mais vulneráveis.
A partida contra a Nova Zelândia coloca frente a frente duas realidades opostas: um país que já alcançou altos níveis de prevenção e diagnóstico e outro que ainda busca expandir o acesso aos serviços de saúde.
Enquanto os resultados deste domingo ajudarão a definir quem seguirá sonhando com o título mundial, a realidade do HIV nesses países reforça uma lição já conhecida pelos especialistas: controlar a epidemia depende não apenas de medicamentos e tecnologia, mas também de informação, direitos e acesso à saúde para todos.
Redação da Agência de Notícias da Aids



