Grupo F reúne líderes globais no combate ao HIV e país onde apenas 36% conhecem o diagnóstico

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A segunda rodada do Grupo F da Copa do Mundo de 2026 promete equilíbrio dentro e fora de campo. No sábado (20), às 14h (horário de Brasília), Países Baixos e Suécia se enfrentam no NRG Stadium, em Houston, em um duelo entre duas seleções que estrearam pontuando e carregam tradição tanto no futebol quanto na saúde pública. Já na madrugada de domingo (21), à 1h, no Estadio BBVA, em Monterrey, Tunísia e Japão entram em campo buscando uma vitória que pode mudar os rumos da chave. Embora ninguém possa garantir classificação antecipada nesta rodada, os resultados serão decisivos para as ambições das quatro equipes.

Se no futebol o grupo é marcado pelo equilíbrio, na resposta ao HIV ele reúne alguns dos melhores indicadores do mundo e, ao mesmo tempo, desafios persistentes relacionados ao estigma, ao acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. Juntos, os quatro países somam cerca de 71 mil pessoas vivendo com HIV.

Países Baixos e Suécia: duas referências mundiais em prevenção

O principal confronto da rodada coloca frente a frente duas seleções que construíram reputações de excelência não apenas nos gramados.

Os Países Baixos chegam à segunda rodada impulsionados por décadas de políticas públicas inovadoras. O país abriga aproximadamente 25 mil pessoas vivendo com HIV e apresenta alguns dos melhores indicadores da Europa: apenas 6% das pessoas infectadas desconhecem seu diagnóstico, 95% estão em tratamento e 98% alcançaram supressão viral.

A trajetória holandesa no combate ao HIV começou ainda nos anos 1980, quando o governo implementou programas de troca de seringas, campanhas de educação sexual e estratégias de redução de danos que se tornariam referência internacional. Atualmente, a PrEP é oferecida pelo sistema público de saúde e o país mantém uma das maiores coberturas de testagem e tratamento do continente.

A Suécia, por sua vez, é considerada um exemplo global. Foi o primeiro país do mundo a atingir as metas “90-90-90” do UNAIDS, ainda em 2016, e continua entre os líderes mundiais nos indicadores de cuidado. Hoje, 97% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu diagnóstico, 98% recebem tratamento e 98% apresentam supressão viral.

O sucesso sueco é resultado de uma combinação de educação sexual obrigatória nas escolas, testagem gratuita, atendimento especializado para populações-chave e ampla disponibilidade da PrEP. O país também figura entre os principais financiadores internacionais da resposta global ao HIV.

Apesar dos avanços, ambos enfrentam desafios semelhantes. Homens que fazem sexo com homens seguem concentrando a maior parte dos novos diagnósticos, enquanto os casos tardios ainda preocupam as autoridades de saúde. Na Suécia, quase 60% das mulheres diagnosticadas descobrem a infecção já em estágio avançado.

Japão e Tunísia: realidades distintas, obstáculos semelhantes

O segundo confronto da rodada reúne países com contextos culturais muito diferentes, mas que ainda enfrentam barreiras importantes relacionadas ao estigma.

O Japão possui cerca de 30 mil pessoas vivendo com HIV e apresenta indicadores próximos das metas globais do Unaids. Aproximadamente 90% conhecem seu diagnóstico, 95% estão em tratamento e 95% alcançaram supressão viral. Em 2024, o país registrou 994 novos casos.

No entanto, especialistas apontam que o preconceito continua sendo um dos principais desafios. O HIV ainda é frequentemente associado a comportamentos considerados “indesejáveis” pela sociedade japonesa, o que contribui para diagnósticos tardios. Entre as mulheres, cerca de 30% dos novos casos são identificados apenas quando a doença já evoluiu para a Aids.

Outro diferencial é a PrEP. Embora amplamente utilizada em diversos países desenvolvidos, ela ainda não foi oficialmente incorporada pelo sistema público japonês e permanece disponível apenas em clínicas privadas, o que limita seu alcance.

A Tunísia vive uma situação mais preocupante. O país contabiliza cerca de 7.700 pessoas vivendo com HIV e registra crescimento contínuo das novas infecções. Em 2024 foram estimados 710 novos casos, número superior ao registrado dois anos antes.

O dado mais alarmante está no diagnóstico: apenas 36% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu estado sorológico. Entre aquelas que sabem da infecção, 81% recebem tratamento e 78% atingem supressão viral.

Segundo organismos internacionais, o estigma, a discriminação e as desigualdades sociais continuam dificultando o acesso aos serviços de saúde, especialmente entre homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis. A expansão da PrEP também avança lentamente: seis anos após sua regulamentação, menos de 200 pessoas utilizavam a estratégia pelo sistema público.

Enquanto a Copa segue definindo quem avançará para as oitavas de final, os números do HIV mostram que as maiores vitórias muitas vezes acontecem longe dos estádios — quando prevenção, diagnóstico e tratamento conseguem chegar a quem mais precisa.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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