Grupo E da Copa reúne países marcados por avanços e desigualdades no enfrentamento ao HIV

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Alemanha e Costa do Marfim fazem neste sábado (20), às 17h, em Toronto, um dos confrontos mais importantes da segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. As duas seleções venceram na estreia e podem garantir classificação antecipada às oitavas de final. Mais tarde, às 21h, em Kansas City, Equador e Curaçao entram em campo pressionados pela necessidade de pontuar para seguir vivos no torneio. Enquanto a disputa acontece dentro das quatro linhas, os países do Grupo E também revelam diferentes desafios no enfrentamento ao HIV, da epidemia generalizada na Costa do Marfim à resposta altamente estruturada da Alemanha.

Juntos, os quatro países somam cerca de 560 mil pessoas vivendo com HIV e retratam diferentes estágios da resposta global à epidemia, desde nações próximas de atingir as metas do Unaids até locais onde o estigma e a falta de informações ainda dificultam o acesso à prevenção e ao tratamento.

Alemanha e Costa do Marfim jogam por vaga nas oitavas

A Alemanha chega à segunda rodada embalada pela goleada por 7 a 1 sobre Curaçao, resultado que recolocou a seleção entre as favoritas ao título. Quatro vezes campeã mundial, a equipe tenta apagar as eliminações precoces das últimas duas Copas e voltar ao protagonismo internacional.

Fora de campo, os alemães também ocupam posição de destaque na resposta ao HIV. Segundo o Unaids, cerca de 97 mil pessoas vivem com o vírus no país. Destas, 93% conhecem seu diagnóstico, 98% estão em tratamento e 95% alcançaram supressão viral, indicadores que colocam a Alemanha muito próxima das metas globais “95-95-95”. Em 2023, foram registrados cerca de 2,2 mil novos diagnósticos.

Além dos resultados domésticos, a Alemanha desempenha papel importante no financiamento da resposta global ao HIV. Em 2025, o país ampliou sua contribuição ao Unaids e reafirmou o compromisso de investir € 1 bilhão no Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária.

Do outro lado estará uma das seleções africanas em melhor fase. A Costa do Marfim estreou com vitória sobre o Equador e busca uma classificação histórica para a fase eliminatória. Tricampeã da Copa Africana de Nações, a equipe vive um momento de afirmação dentro do cenário internacional.

No entanto, o país ainda convive com uma das maiores epidemias da África Ocidental. Cerca de 410 mil pessoas vivem com HIV em território marfinense, onde a prevalência entre adultos é de 2%. Apesar dos avanços recentes, a epidemia continua classificada como generalizada.

As mulheres são as mais afetadas, representando aproximadamente 60% dos novos diagnósticos. Outro desafio é a transmissão vertical. Atualmente, cerca de 9% dos bebês nascidos de mães vivendo com HIV adquirem o vírus, índice considerado elevado diante das metas internacionais de eliminação da transmissão de mãe para filho.

Ainda assim, a Costa do Marfim vem registrando avanços importantes. Com apoio internacional, o país ampliou o acesso à testagem, ao tratamento antirretroviral e à PrEP, acumulando quase 39 mil adesões à profilaxia pré-exposição no sistema público de saúde.

Equador e Curaçao lutam pela sobrevivência

No segundo jogo do dia, Equador e Curaçao entram em campo sabendo que uma nova derrota pode significar adeus precoce ao Mundial.

O Equador chega pressionado após a derrota para a Costa do Marfim, mas carrega uma trajetória consistente na resposta ao HIV. O país tem cerca de 52 mil pessoas vivendo com o vírus e registrou 1.900 novas infecções em 2024. Atualmente, 92% das pessoas vivendo com HIV conhecem seu diagnóstico, 89% recebem tratamento e 92% atingiram supressão viral.

Nos últimos anos, o governo equatoriano ampliou o acesso à PrEP e fortaleceu as políticas de prevenção. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo sistema público de saúde, tanto para cidadãos equatorianos quanto para estrangeiros residentes.

Apesar dos avanços, o estigma segue sendo um dos principais obstáculos. Homens que fazem sexo com homens e mulheres trans permanecem entre os grupos mais afetados pela epidemia, com prevalências significativamente superiores às observadas na população geral.

Já Curaçao, uma das grandes surpresas desta Copa, enfrenta uma realidade diferente. Com população de cerca de 150 mil habitantes, a ilha caribenha tem aproximadamente 990 pessoas vivendo com HIV. O número de novos diagnósticos é relativamente baixo, mas organizações locais alertam para os riscos dos diagnósticos tardios e da interrupção dos tratamentos.

O principal desafio é o estigma. Segundo organizações da sociedade civil, o preconceito continua afastando parte da população dos serviços de saúde, dificultando a testagem e a continuidade do cuidado. Embora o território ofereça gratuitamente testes, PrEP e tratamento antirretroviral, ainda existem poucos dados oficiais sobre a adesão a essas estratégias.

No futebol, a classificação será definida em 90 minutos. Na resposta ao HIV, porém, os resultados dependem de investimentos contínuos, acesso à saúde, combate ao preconceito e compromisso político — uma disputa que continua muito depois do apito final.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Apoios