Grupo D da Copa reúne potências na resposta ao HIV e países que ainda enfrentam aumento de casos

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Estados Unidos lideram a chave após vitória na estreia contra o Paraguai; grupo reúne países com cenários que vão de uma das respostas mais estruturadas do mundo ao crescimento de novos diagnósticos

 

Com os Estados Unidos na liderança após a primeira rodada, o Grupo D da Copa do Mundo coloca em campo quatro realidades distintas diante do HIV. A vitória norte-americana por 4 a 1 sobre o Paraguai e o triunfo da Austrália por 2 a 0 contra a Turquia refletem apenas a disputa esportiva entre as seleções.

Fora dos estádios, os países carregam histórias diferentes na resposta à epidemia: de um lado, estratégias reconhecidas mundialmente e avanços rumo à eliminação da transmissão; de outro, obstáculos persistentes que envolvem desigualdades, diagnóstico tardio e acesso limitado às ferramentas de prevenção. 

Estados Unidos: mais de 1,2 milhão de pessoas vivem com HIV em meio a cortes na saúde pública

Os Estados Unidos chegam à Copa com uma das maiores populações vivendo com HIV entre os países do grupo. Mais de 1,2 milhão de pessoas vivem com o vírus no país e cerca de 12,5% delas ainda não conhecem seu estado sorológico. O número de novas infecções permanece praticamente estável desde 2022, com aproximadamente 31,8 mil novos casos anuais – uma redução de 12% em comparação com 2018.

A epidemia norte-americana continua afetando principalmente homens que fazem sexo com homens (HSH), especialmente jovens afro-americanos e latinos, que representam a maior parcela das novas infecções. Em 2022, esse grupo respondeu por 69% dos novos casos registrados no país.

A prevenção inclui o uso da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), recomendada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), mas o acesso ainda apresenta desigualdades. Embora o uso do medicamento tenha crescido nos últimos anos, a cobertura é menor entre populações negras e latinas.

O momento atual também é marcado por incertezas na política de saúde. Desde 2025, o país passou por cortes em programas relacionados ao HIV/Aids, incluindo o congelamento do PEPFAR, iniciativa criada em 2003 que é considerada uma das maiores ações globais de enfrentamento à epidemia.

Austrália: referência mundial e próxima das metas globais

A Austrália apresenta um dos cenários mais positivos do grupo. O país estima que cerca de 31 mil pessoas vivem com HIV, com uma prevalência de 0,14%. Em 2023, foram registrados 722 novos diagnósticos, uma queda de 33% em relação a 2014.

O país está próximo de alcançar as metas 95-95-95 estabelecidas pelo Unaids: 91% das pessoas vivendo com HIV sabem seu diagnóstico, 97% estão em tratamento antirretroviral e 98% apresentam supressão viral. A Austrália trabalha com a meta de eliminar novas transmissões até 2030.

Historicamente, a resposta australiana ao HIV é considerada uma das mais bem-sucedidas do mundo. O país adotou precocemente estratégias como troca de seringas para usuários de drogas injetáveis e campanhas coordenadas envolvendo governo, sistema de saúde e organizações comunitárias.

A PrEP passou a ser disponibilizada pelo sistema público australiano em 2018 e, até dezembro de 2024, mais de 85 mil pessoas haviam utilizado o medicamento.

Paraguai: epidemia concentrada e desafios regionais

No Paraguai, a epidemia apresenta menor número absoluto de casos, mas segue concentrada em populações-chave. Dados apresentados pelo Unaids apontam prevalência de aproximadamente 0,5% entre adultos de 15 a 49 anos.

Os grupos mais afetados incluem homens gays, bissexuais e outros HSH, além de pessoas trans e profissionais do sexo. O país também enfrenta desafios relacionados ao estigma e à discriminação contra pessoas vivendo com HIV, fatores que podem dificultar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

O cenário paraguaio acompanha uma tendência regional apontada por organismos internacionais: o crescimento da preocupação com novas infecções em regiões como América Latina, Europa Oriental e Ásia Central.

Turquia: aumento de diagnósticos e lacunas na prevenção

A Turquia chega ao torneio com um dos maiores desafios do grupo na resposta ao HIV. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde turco apontam 45.835 casos registrados entre a década de 1980 e novembro de 2024, incluindo 2.438 casos de Aids.

Apesar da prevalência estimada ser baixa, em torno de 0,1%, o país registrou aumento no número de diagnósticos. Em 2023, foram pouco mais de seis mil novos casos, cerca de 50% a mais que em 2018. Aproximadamente 49% das pessoas vivendo com HIV na Turquia não conhecem seu estado sorológico.

A prevenção ainda enfrenta obstáculos. O acesso à PrEP e à PEP está concentrado em centros urbanos e serviços privados especializados, e o país não possui uma política nacional ampla de distribuição pública de preservativos e medicamentos preventivos.

Além dos campos

Assim como acontece em outros grupos da Copa, o Grupo D mostra que a epidemia de HIV não segue uma única trajetória: enquanto alguns países avançam com políticas robustas de prevenção e tratamento, outros ainda enfrentam barreiras de acesso, informação e combate ao estigma.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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