GOVERNO NÃO ATINGE METAS ESTIPULADAS NO COMBATE À AIDS,INFORMA ESTADÃO DESTE SÁBADO

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

20/1/2007 – 10h

A notícia está publicada no jornal O Estado de S.Paulo deste sábado. A jornalista Lígia Formenti comparou as metas estipuladas no combate a doença divulgadas pelo Programa Nacional e Ministério da Saúde com os resultados obtidos no decorrer do ano.Formenti escreveu “anunciadas com pompa em 2003, as metas na área de aids traçadas pelo governo para serem cumpridas até 2006 foram, em boa parte, revistas e reduzidas. O Ministério da Saúde havia se comprometido a distribuir 1,2 bilhão de camisinhas, reduzir a incidência anual da doença de 15 casos por 100 mil habitantes para 10 por 100 mil. O governo também afirmou que ampliaria os testes de diagnóstico feitos anualmente de 1,8 milhão para 4,5 milhões. Números disponíveis mostram que o desempenho não chegou nem perto do estipulado. Mas a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão, não considera que as ações tenham falhado”.

“Na área de saúde, às vezes é preciso fazer algumas correções. Fizemos ajustes das metas já em 2005”, afirma. De sete itens analisados, a coordenadora admite que apenas um dos objetivos não foi alcançado: a oferta de tratamento para 100% das gestantes, o que evitaria a transmissão vertical (da mãe para o bebê) do HIV. Ela observa que em dois itens, o desempenho foi superior às expectativas: o ritmo de descentralização do programa de aids e o aumento da cooperação internacional. Atualmente, 427 municípios – onde são registrados 95% dos casos da doença – recebem R$ 134 milhões para investir na área. Um desempenho considerado muito bom por Mariangela. Na área internacional, hoje o País colabora com 25 países, 12 dos quais recebem medicamentos.

Nos demais itens, o programa fez “ajustes” nas expectativas. Além de reduzir pela metade a meta da distribuição de camisinhas, como revelou a reportagem, o ministério arquivou a idéia de reduzir em 30% o número de casos novos da doença. Em seu lugar, comprometeu-se pela estabilização da epidemia. Mariangela afirmou que a meta de redução de novos casos é sempre de difícil execução, por causa da natureza dos números captados pelos registros: “Eles refletem infecções que ocorreram há sete, dez anos. Casos novos geralmente são registrados vários anos depois da infecção”, justificou. A meta de estabilidade, fixada em 2005, seria mais condizente com a realidade. A redução da mortalidade estipulada em 2003 também não se concretizou.

Na época, a intenção era reduzir o índice de 6,31 para 4,42 por 100 mil habitantes. Em 2005, a marca continuava em 6 por 100 mil habitantes. Mariangela afirma que a dificuldade de se reduzir os números de mortalidade, hoje, não espanta especialistas. “Temos índices comparáveis a países desenvolvidos”, garante. A queda drástica prevista em 2003, argumenta, era baseada no ritmo de mortalidade conseguido nos primeiros anos da distribuição gratuita de medicamentos.

“No início, o impacto da terapia anti-retroviral foi muito grande. Mas com o envelhecimento da epidemia, algumas dificuldades foram surgindo”, afirma a coordenadora, citando como exemplo a maior resistência aos remédios. A coordenadora disse que não há ainda como saber quantos pacientes fizeram o teste de aids em 2005 e 2006. “Seja como for, não era uma boa meta aquela que havia sido estabelecida. O ideal é não fazer o controle pelo número de testes, mas quantas pessoas fizeram o exame”, completa.

Fonte: Agência Estado
Reportagem de Lígia Formenti

Apoios