Governo divulga balanço do impacto da Covid: 28,8% dos brasileiros infectados ainda apresentam sintomas do vírus

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O Ministério da Saúde afirmou nesta quarta-feira que 28,8% da população infectada pelo coronavírus ainda apresenta sintomas da doença. O número faz parte da pesquisa Epicovid 2.0: Inquérito nacional para avaliação da real dimensão da pandemia de Covid-19 no Brasil”.

Ao todo, 33.250 pessoas foram entrevistadas pelo levantamento da pasta. Neste universo, 28%, o correspondente a 60 milhões de brasileiros, disseram ter sido infectados.

O levantamento também indica os sintomas mais comuns da Covid longa: ansiedade (33%), cansaço (25,9%), dificuldade de concentração (16,9%) e perda de memória (12,7%). Os números mostram que 18,9% dos brasileiros relataram sintomas após a doença.

Impacto econômico e social

O Ministério da Saúde afirmou nesta quarta-feira que 34,9% da população brasileira perdeu o emprego durante a pandemia de Covid-19.

O estudo mostra ainda que 48,6% dos brasileiros tiveram uma redução na renda em razão da pandemia. Desses, 47,4% entraram m situação de insegurança alimentar. Ou seja, não tinham a garantia de prover seu alimento diariamente.

A pesquisa constatou que 44% dos entrevistados mais pobres responderam que em algum momento faltou dinheiro para comprar alimentos. Entre os mais ricos, o valor é de 10%. O estudo mostra ainda que 22% dos mais pobres afirmaram que em algum momento, durante a pandemia, algum adulto reduziu a alimentação para não prejudicar o desenvolvimento das crianças da casa.

“Quando a gente compara o grupo mais pobre com o mais rico da população, todos os desfechos, esses impactos, todos eles foram mais frequentes nas famílias mais pobres. A pandemia afetou as pessoas mais vulneráveis e que já tinham mais dificuldade de acesso à serviços de saúde”, afirmou Pedro Hallal, coordenador do estudo.

Durante a apresentação dos resultados, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o levantamento é o maior realizado no mundo em base populacional e destacou que sua gestão seguirá apoiando pesquisas. Ao todo, a pasta investiu R$ 8 milhões no levantamento.

“Esse é o maior estudo de base populacional sobre Covid no Brasil. Foi um investimento de mais de R$ 8 milhões. O Ministério da Saúde vê a importância disso e manteremos essa linha de apoio aos estudos. É o maior estudo do mundo em termos de base populacional”, destacou a ministra em sua fala de abertura.

Vacina

A maioria dos entrevistados (57,6%) afirmou acreditar na vacina, e 0,5% não acreditam na existência do vírus. Outros 31% relataram que a vacina poderia fazer mal à saúde. Ao todo, 90,2% tomou ao menos uma dose de vacina; 84,6% completou o esquema vacinal com duas doses.

O estudo mostra ainda que a taxa de hospitalização foi maior entre aqueles com menor renda. Enquanto 5,8% dos mais pobres foram hospitalizados, 4% dos mais ricos precisaram dar entrada em uma unidade de saúde. A maior proporção de internados estava no Nordeste (7,6%), e Centro Oeste (5,5%).

“Não necessariamente os lugares com mais relatos de infecção que teve mais hospitalização. A região Norte teve mais relato de infecção, mas a com mais relato de hospitalização foi a região nordeste”, afirmou Pedro Hallal, coordenador do estudo.

O levantamento também apontou que 1,4% da população se contaminou ao menos três vezes; 4,9% duas vezes; 22,1% uma vez.

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