Globo ainda deve retratação às pessoas vivendo com HIV, dizem ativistas após visita de infectologista à casa do ‘BBB 14’

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21/03/2014 – 18h30
A presença da médica Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, no “BBB14” desta quinta-feira (20), não foi suficiente para reparar a ofensa que Angela, uma participante do programa, fez na semana passada ao dizer que todos os soropositivos deveriam morrer como forma de acabar com a aids. Essa  é a opinião de ativistas que ouvimos. “Não houve retratação alguma, nem de Angela, nem de Pedro Bial, nem da médica”, disse o ator carioca Cazu Barros. “Nenhum deles pediu desculpas às pessoas vivendo com HIV/aids.” Simplesmente taparam o sol com a peneira”, afirmou Marcus Dutra, do Centro de Apoio ao Cidadão, de Serra (ES).

Cazu Barros, ativista da da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com Aids que lidera nas redes sociais uma campanha de boicote ao “BBB 14” e às marcas patrocinadoras do programa, também acredita que o público não entendeu a presença da médica. “Nem mesmo os participantes envolvidos entenderam”, ele frisou. “Tanto que Angela, após a saída da infectologista, ainda perguntou: ‘Será que falamos alguma besteira’?”

Ao sugerir a exterminação das pessoas vivendo com HIV, na sexta-feira (14), Angela, uma advogada criminalista, ainda emendou: “O que mais me irrita é saber que a aids existe porque teve um idiota que foi transar com um macaco.” Isso durante uma conversa sem pé nem cabeça, quando o participante Cássio dava aos colegas ( e ao público), entre outras, a desinformação de que quem tem HIV não dura mais de 40 anos.

“As falas dos participantes foram jogadas ao vento e não temos a dimensão de que a fala da médica tenha alcançado a todos que o reality show alcançou. O estrago é irrecuperável”, disse José Araújo Filho, diretor do Espaço de Prevenção e Humanização (Epah). Mesmo assim, ele diz reconhecer que a atitude da direção do programa, ao levar a médica para dar esclarecimentos, foi “correta e respeitosa para com as reivindicações do movimento da aids”.

Durante toda a semana, Ongs, entidades do governo, ativistas e o público em geral vinham pedindo a retratação da Globo. Só na quarta-feira (19), o Ministério da Saúde se manifestou, pedindo à emissora, por meio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, que pautasse a aids de forma correta. Um dia depois, a a médica entrou na casa do “BBB”.

“Se os participantes, mesmo com as explicações da médica, ainda têm dúvida se falaram alguma besteira, é sinal de que nada adiantou a explicação dela e eles continuam com o mesmo pensamento de que exterminar as pessoas com aids seria a solução”, insiste Cazu.

“Não houve sequer uma fala relembrando os erros citados pelos participantes para justificar a presença da médica ali”, avaliou Marcus Dutra, do Centro de Apoio ao Cidadão, de Sergipe (ES). Isso nem de perto é suficiente pelo estrago causado. Mas é, sim, um bom começo.”

Silvia Almeida, do Movimento das Cidadãs PositHIVas e do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) concorda com Marcus. “Faltou o Bial se pronunciar, relembrando o infeliz comentário da Angela e explicando a presença da infectologista ali. Faltou também a mocinha (Angela) pedir desculpas às pessoas vivendo com HIV.”

Ainda segundo Silvia, a Globo perdeu uma ótima oportunidade de prestar um bom serviço ao público. “Podia , ao menos, ter anunciado antes que a médica ia abordar o tema e dar esclarecimentos.”

Fátima Cardeal

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