O estande do Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV (MBP+Brasil), articulação formada pela RNP+ Brasil, Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), Rede Brasil de Pessoa Idosa Vivendo e Convivendo com HIV, Aids e outras Comorbidades (RBPI+ Brasil), Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids (RNAJVHA) e Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV e Aids (RNTTHP), iniciou sua programação na Global Village da AIDS 2026, no RioCentro, reunindo ativistas, pesquisadores, profissionais de saúde e participantes da conferência em debates sobre estigma, avanços científicos e os desafios do envelhecimento das pessoas vivendo com HIV.
Desde a abertura das atividades, no dia 27 de julho, o espaço registrou intensa circulação de visitantes, refletindo o interesse pelas experiências desenvolvidas pelas organizações brasileiras da sociedade civil. Ao longo dos dois primeiros dias da programação, o estande consolidou-se como um ambiente de diálogo, intercâmbio de experiências e fortalecimento da participação comunitária na resposta ao HIV.

Na tarde do primeiro dia, o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) promoveu uma roda de conversa sobre um dos desafios persistentes da resposta ao HIV: o estigma. O debate, conduzido por Fabiana de Oliveira, abordou como o preconceito continua interferindo na vida das pessoas após o diagnóstico, dificultando o acesso aos serviços de saúde, comprometendo a qualidade de vida e impactando a permanência no cuidado.
Na sequência, o ativista Moysés Toniolo, da RNP+Brasil, apresentou um panorama sobre os avanços no diagnóstico, na prevenção e no tratamento do HIV. Entre os temas discutidos esteve o lenacapavir, medicamento já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que aguarda avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) para possível disponibilização no SUS.
A apresentação também abordou os avanços relacionados à profilaxia pré-exposição (PrEP), à profilaxia pós-exposição (PEP), à PrEP injetável, à atualização dos protocolos clínicos e ao desenvolvimento de cerca de 30 novas tecnologias voltadas ao monitoramento e ao tratamento da infecção pelo HIV.

Outro tema que despertou interesse entre os participantes foi a perspectiva de novas terapias de longa duração, incluindo medicamentos de administração mensal e esquemas com aplicação trimestral, que poderão ampliar as opções terapêuticas e facilitar a adesão ao tratamento.
Encerrando a programação do dia 27, a RNP+ Brasil promoveu uma dinâmica de integração entre os participantes, incentivando a troca de experiências, o acolhimento e o fortalecimento dos vínculos entre representantes das redes, visitantes e pessoas vivendo com HIV.
Envelhecer com HIV exige respostas específicas
No dia 28 de julho, a programação voltou-se para um tema cada vez mais presente na resposta à epidemia: o envelhecimento das pessoas vivendo com HIV. A roda de conversa foi conduzida pela Rede Brasil de Pessoa Idosa Vivendo e Convivendo com HIV, Aids e outras Comorbidades (RBPI+ Brasil).
Durante o encontro, conduzido por Amauri Lopes, os participantes destacaram que o aumento da expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV exige que os sistemas de saúde estejam preparados para responder às demandas específicas dessa população. Além das condições naturalmente associadas ao envelhecimento, foram debatidos os possíveis efeitos acumulados do uso prolongado da terapia antirretroviral, que podem se manifestar de maneiras distintas ao longo dos anos.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de fortalecer, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado integral, o acolhimento e o acompanhamento multiprofissional das pessoas idosas vivendo com HIV, considerando suas especificidades clínicas e sociais.
A atividade foi marcada pelo compartilhamento de experiências de pessoas que convivem com o vírus há décadas. Os relatos evidenciaram desafios relacionados às comorbidades, ao preconceito persistente e à necessidade de políticas públicas que assegurem qualidade de vida, autonomia e envelhecimento com dignidade.
Ao final dos dois primeiros dias da AIDS 2026, o estande do MBP+Brasil reafirmou o protagonismo da sociedade civil organizada na resposta brasileira ao HIV, promovendo um espaço de diálogo em que ciência, direitos humanos, participação comunitária e incidência política caminham lado a lado. A programação também evidenciou a diversidade de pautas e de populações representadas pelas cinco redes que integram o movimento, reforçando o papel estratégico da participação social na construção e no fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento ao HIV no Brasil.
Letícia de Assis, especial para a Agência de Notícias da Aids
* A equipe da Agência de Notícias da Aids cobre a AIDS 2026 com o apoio do Senac São Paulo e da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo.



