GIV 35 anos: Conheça a história da ONG que promove esperança, acolhimento, luta pelos direitos humanos e transformação na vida de quem vive com  HIV/aids

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No coração da zona sul de São Paulo, um grupo de pessoas se reuniu, em 8 de fevereiro de 1990, para transformar dor em acolhimento e incerteza em força. Assim nasceu o Grupo de Incentivo à Vida (GIV), fundado pelo ativista José Roberto Peruzzo, em um tempo onde o medo e a desinformação sobre o HIV eram a regra. Hoje, 35 anos depois, a instituição celebra sua história com gratidão e resiliência, lembrando cada passo dessa caminhada. E para comemorar essa trajetória, acontece neste sábado (8), a partir das 17h, uma festa de aniversário na sede do GIV, com direito a bolo e muita celebração.

O advogado Cláudio Pereira, atual presidente do GIV, vive essa história de perto e sente o peso do tempo de uma maneira singular. “O tempo passou rápido, apesar de que, quando você está envolvido com a causa, o tempo voa, e você não percebe sua passagem”, diz, refletindo sobre a jornada da instituição. A evolução da epidemia trouxe novas demandas e mudanças na forma de acolhimento. “Naquela época, não havia sequer tratamento. Atualmente, as pessoas têm acesso a tratamentos bem mais toleráveis”, relembra.

Mais do que um espaço de apoio, o GIV tornou-se um refúgio para muitas pessoas. O projeto “Viver Criança”, por exemplo, nasceu para oferecer suporte a crianças e adolescentes e acabou se expandindo, refletindo o compromisso da instituição com o futuro.

A luta do GIV também se fez presente na defesa de políticas públicas e no amparo jurídico a pessoas vivendo com HIV. “Buscamos parcerias com a Defensoria Pública e o Ministério Público para mudar essa realidade”, explica Cláudio. Ao longo dos anos, a instituição esteve à frente de batalhas importantes, como a luta pela PEP e PrEP. “Essas foram algumas das lutas que o GIV participou, direta ou indiretamente”, reforça.

Ao longo dos 35 anos, o GIV tem ampliado sua atuação no movimento organizado e protagonizado diversas conquistas na luta contra o HIV/aids. Entre as principais, destacam-se:

  • Participação ativa junto a outras ONGs na mobilização do 1º de dezembro, transformando a data em um marco de luta, denúncia da epidemia e defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids;
  • Engajamento na luta pelo acesso a medicamentos antirretrovirais (ARVs), por meio de abaixo-assinados, passeatas e ações jurídicas;
  • Realização de denúncias públicas, incluindo atos e passeatas, para expor o descaso de diferentes instâncias governamentais com a saúde pública;
  • Mobilização contra a regulamentação dos planos de saúde que excluíam cobertura para doenças preexistentes;
  • Atuação na defesa da continuidade do fornecimento de medicamentos antirretrovirais e profiláticos;
  • Representação das ONGs na Coordenação Nacional de Aids (CNAIDS), fortalecendo a articulação política e a incidência nas políticas públicas.

Juventudes

A enfermeira Andrea Ferrara, que coordena as ações voltadas para juventudes, também tem uma história profunda com o GIV. Ela chegou nos anos 2000 e encontrou um espaço que acolhia e fortalecia. “Na época, foi formado o GT Criança e Adolescente do Fórum, e as reuniões aconteciam no GIV. Em 2005, comecei minha jornada como voluntária lá”, conta.

Andrea vê o GIV como muito mais do que um espaço de acolhimento. “Hoje, o foco está muito nos jovens de transmissão sexual, mas esquecemos que os de transmissão vertical também estão aí e são pouco vistos”, alerta. Ela também reforça que a juventude que vive com HIV não se resume à sua sorologia. “Lá, costumo dizer que sou apenas uma facilitadora, porque quem tem a fala, quem tem a troca, são eles. Estou apenas direcionando”, afirma.

Vida após o diagnóstico

Entre tantas histórias, a de Silvia Almeida ecoa como um testemunho vivo do impacto do GIV. Diagnosticada com HIV em 1996, após a morte do marido, ela se viu imersa em dúvidas e medos. “Eu vi um cartaz do GIV no ambulatório onde fazia meu tratamento. Pensei: eu e meus filhos perdemos um pai, eu não posso morrer, não quero morrer agora”, relembra.

Quando chegou ao GIV, Silvia foi acolhida com calor humano e esperança. “Fiquei assustada, não entendi como uma casa de HIV tinha aquele clima de festa”. No entanto, ali ela aprendeu uma lição que carregaria para sempre. “O GIV me ensinou que tem vida após o HIV e vida sexual também, que a nossa sexualidade não morre. Me ensinou sobre a importância de não existir culpados”, compartilha com emoção.

Ao completar 35 anos, o GIV segue firme, sustentado pelo amor, pela solidariedade e pelo voluntariado, como destaca Cláudio Pereira. “A base fundamental para que a gente existisse até hoje sempre foi o voluntariado”, enfatiza.

O GIV é mais do que uma organização. É um lugar onde a vida é reafirmada todos os dias, onde histórias são reescritas com coragem e esperança. E, enquanto houver pessoas para acolher e lutar, essa história continuará sendo escrita.

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