Em homenagem ao Dia Internacional da Menina, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) lança “Ghotul”, um curta-metragem que convida famílias de todo o mundo a refletirem sobre a importância do diálogo aberto entre pais e filhos sobre sexualidade, relacionamentos e prevenção ao HIV.
Com roteiro de Shruti Johri e direção de Shashanka “Bob” Chaturvedi, o filme conta a história de uma conversa entre mãe e filha sobre amor, escolhas e respeito. Na narrativa, a mãe — interpretada pela atriz Indira Tiwari* — relembra o tempo em que viveu em um “ghotul”, instituição tradicional das tribos Muria e Gond, na Índia, onde jovens aprendiam juntos sobre convivência social, cultura e sexualidade em um ambiente seguro e educativo.
Enquanto descreve suas experiências e fala sobre os rapazes que conheceu — alguns insistentes, outros tímidos —, a mãe explica que se apaixonou pelo homem que a escutava e a respeitava. A mensagem central é clara: o que mais protege meninas e mulheres não é o silêncio, mas a existência de espaços seguros para aprender, conversar e escolher.
“Ao conhecer os fatos e educar jovens sobre sua saúde sexual, podemos ajudá-los a se sentirem seguros — e a permanecerem seguros”, afirmou Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids.
A produção surge em um contexto em que as desigualdades de gênero, a discriminação e a pobreza ainda limitam a autonomia de milhões de meninas e mulheres, aumentando sua vulnerabilidade ao HIV e à violência. Segundo dados do Unaids, mais de 21 milhões de adolescentes entre 15 e 19 anos engravidam a cada ano e, toda semana, cerca de 4 mil meninas adolescentes são infectadas pelo HIV — especialmente na África Subsaariana, onde a prevalência é três vezes maior entre meninas do que entre meninos.
Por isso, o filme reforça a necessidade da educação sexual abrangente como uma ferramenta essencial para reduzir infecções, prevenir gestações precoces e ampliar as oportunidades econômicas e sociais das mulheres jovens.
A ideia de “Ghotul” nasceu da publicitária e feminista Swati Bhattacharya, que se inspirou na sabedoria ancestral das comunidades tribais.
“Os mais velhos falavam com os adolescentes sobre amor, desejo e corpo em transformação — não para envergonhá-los, mas para orientá-los”, explica. “Hoje, quando muitas crianças recorrem à internet para buscar respostas, ‘Ghotul’ nos lembra da importância de trazer essas conversas honestas e afetuosas de volta para dentro de casa.”
O curta de 12 minutos também conta com a participação da modelo e atriz Puja Kulay, no papel da filha. Em uma das cenas mais marcantes, a jovem lamenta: “Não existem mais ghotuls.” A mãe responde com um sorriso: “Eles ainda existem, só diminuíram de tamanho”, apontando para uma caixa — metáfora para o espaço íntimo e simbólico onde ainda é possível cultivar o diálogo e o aprendizado.
“Ghotul” já recebeu elogios de Guneet Moga, uma das mais premiadas produtoras de cinema da Índia e vencedora de dois Oscars na categoria de melhor documentário em curta-metragem.
“Poucos filmes ousam tratar do amor, do desejo e da autonomia com tanta dignidade”, disse. “Essa história resgata a tradição indígena que colocava a igualdade no centro da adolescência — dando voz às meninas e valorizando masculinidades mais sensíveis nos meninos. É uma narrativa de coragem, compaixão e profundidade cultural.”
O filme completo está disponível no canal do Unaids.
Redação da Agência de Notícias da Aids



