Gestos apresenta projeto “Trans pelo Clima” em fórum internacional sobre desenvolvimento sustentável no Chile

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A Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero apresentou no começo de abril (1º) o projeto “Trans pelo Clima” durante um evento paralelo à 8ª Reunião do Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável (Foro LAC), realizado na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em Santiago, no Chile.

A sessão, intitulada “Crises climáticas, de saúde e de direitos sexuais e reprodutivos: existem soluções para a ALC”, foi promovida pela Gestos em parceria com o Unaids para América Latina, a Fundação de Direitos Humanos, Equidade e Gênero (Fundheg – Argentina), a Fiocruz (Brasil) e a IPPF ACRO. Representando a organização, a assessora de comunicação e advocacy Júlia Galvão destacou a experiência brasileira com o projeto, por meio da apresentação “Mulher trans e clima: uma experiência de incidência no Brasil”.

O Fórum reuniu governos da região, autoridades do Sistema das Nações Unidas, representantes da sociedade civil, setor privado, academia e organismos internacionais para debater os avanços e os desafios da implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável na América Latina e Caribe.

Uma resposta interseccional à crise climática

O projeto “Trans pelo Clima” nasceu em Recife, capital considerada uma das 20 mais vulneráveis às mudanças climáticas no mundo. A iniciativa tem como foco mulheres trans e travestis acima dos 50 anos, um grupo historicamente marginalizado e exposto a múltiplas camadas de vulnerabilidade — como pobreza, discriminação nos serviços de saúde, insegurança habitacional e exclusão do mercado de trabalho.

Dados coletados pela Gestos revelam um cenário alarmante: 58% das participantes viviam com renda inferior a um salário mínimo, e 52% delas vivem com HIV — índice bem acima da média nacional para a população trans, estimada em 33%.

A partir desse diagnóstico, a organização estruturou ações em três frentes: apoio psicológico, formação em justiça climática e capacitação em advocacy. O objetivo é que essas mulheres compreendam suas vulnerabilidades frente à crise ambiental e possam ocupar espaços políticos, promovendo mudanças estruturais e reivindicando seus direitos.

Referência em justiça social

Com quase 32 anos de atuação, a Gestos é reconhecida nacional e internacionalmente por seu trabalho voltado à promoção dos direitos humanos, justiça social, equidade de gênero e saúde pública, com ênfase nas agendas de HIV/aids e desenvolvimento sustentável. A participação da organização no Fórum reforça a importância de abordar as mudanças climáticas a partir de uma perspectiva interseccional, que considere os impactos diferenciados nas populações mais vulnerabilizadas.

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