Gestores garantem a ativistas que serviços especializados em HIV/aids não acabam

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15/05/2014 – 20h

Ativistas na luta pelos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids estiveram nessa quarta-feira (14), na Câmara Municipal de São Paulo, em busca de uma resposta definitiva sobre o futuro do atendimento aos pacientes soropositivos na cidade. A proposta do governo federal de expandir o tratamento antirretroviral às unidades básicas de saúde preocupa militantes, que temem pelo fim dos serviços especializados.

Em janeiro, o secretário municipal adjunto da Saúde, Paulo de Tarso Puccini, disse em entrevista à Agência Aids que São Paulo não está preparada para atender casos de HIV na atenção básica (AB) e garantiu a permanência dos serviços especializados, os SAEs (leia aqui).

Assim como Puccini, a médica e coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Eliana Battaggia Gutierrez, confirmou que não há nenhum projeto em São Paulo que prevê a transferência do atendimento do SAE para a AB. No entanto, disse que algumas unidades básicas já atendem casos de HIV, como o Centro Saúde Escola Barra Funda.

"Nesse local há mais ou menos 40 pessoas em tratamento. Não podemos nos dar ao luxo de dispensar serviços que não são especializados em HIV/aids mas têm qualidade para atender os pacientes. É possível fazer um matriciamento", explicou a coordenadora.

Segundo o Ministério da Saúde, pacientes com HIV assintomáticos poderiam ser atendidos nas unidades básicas de saúde mais próximas das suas residências, diminuindo, assim, a demanda dos SAEs, que passariam a dar prioridade aos casos mais complexos.

A militante Teresinha Martins, do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), quis saber quais são os benefícios para as pessoas vivendo com HIV no atendimento na AB. Já o jornalista Paulo Giacomini, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, defendeu a manutenção e a ampliação dos SAEs. "Nossos serviços estão sucateados".

O debate na Câmara foi idealizado pelo Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) e integra as discussões temáticas da Comissão Permanente de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher.

Representando o Mopaids, o ativista José Araújo Lima também criticou o atendimento. “Nossos serviços em São Paulo estão abarrotados, há pessoas com HIV que esperam cinco meses para ter a primeira consulta com especialista". Ele lembra que a AB sempre serviu como encaminhamento para o SAE.

O pesquisador do Comitê Nacional de Vacinas e integrante do GIV, Jorge Beloqui e o ativista Américo Nunes, também do Mopaids, destacaram que o governo nunca chamou a sociedade civil e as pessoas vivendo com HIV/aids para um debate sobre esse assunto. "Mais uma vez fomos nós quem chamamos o governo para uma conversa", disse Beloqui. "Não queremos ser atendidos nas UBSs, o governo precisa ampliar o serviço especializado", disse Américo.

A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, também esteve no debate e assim como Eliana garantiu que os pacientes com HIV no estado serão atendidos nos serviços especializados. “Sabemos da importância do tratamento especializado e vamos seguir com essa linha de cuidado, mas temos de encarar a necessidade de ampliar os serviços. Por isso, sou totalmente a favor da proposta da dra. Eliana ao Ministério da Saúde de criar uma rede de saúde para as pessoas com HIV, semelhante às que já existem, como a Rede Cegonha e a Hora Certa", disse.

Malhar e Viver Mais

Os usuários do projeto Malhar e Viver Mais também estiveram na audiência pública e se manifestaram contra o fim da atividade física para pessoas com HIV em serviços especializados da prefeitura de São Paulo (veja aqui). Eles entregaram a Eliana um abaixo assinado e solicitaram uma reunião com ela. "A atividade física é minha vida", disse um usuário do projeto. A gestora garantiu que o projeto não vai acabar. "Nossa ideia é ampliar a iniciativa para outros locais e horários."

A audiência terminou, mas o debate, não. O vereador Gilberto Natalini (PV), integrante da Comissão Permanente de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher se comprometeu a fazer um relatório sobre o evento e propôs a criação de uma comissão de, no máximo, dez pessoas com integrantes do movimento social e de governos para novas rodadas de conversas sobre o tema.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Dicas de entrevista:

Programa Estadual de DST/Aids de SP
Tel.: (11) 5087-9835

Programa Municipal de DST/Aids
Tel.: (11) 3397-2192

Mopaids
Tel.: (11) 5084-0255

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