O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump, concedeu uma entrevista de cerca de duas horas ao jornal The New York Times, na noite de quarta-feira. Ao influente jornal, ele informou não ter um prazo exato de quanto tempo seu governo seguirá supervisionando politicamente a Venezuela, depois dos fatos que levaram a prisão de Nicolas Maduro e sua esposa Cilia Flores. Falando sobre o petróleo produzido no país, o presidente americano comentou que o produto será “ extraído e usado de forma lucrativa.Estamos reduzindo os preços do petróleo e vamos dar dinheiro a Venezula que eles desesperadamente precisam”. O presidente não falou nada sobre promover novas na Venezuela.
A instabilidade política do país vizinho aumentou o número de imigrações para o Brasil : dados registrados pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), mais de 700 mil venezuelanos permaneciam no Brasil até setembro de 2025.
A Agência Aids tem conversado com ativistas brasileiros sobre a importância do acolhimento aos venezuelanos e, particularmente, aos vivendo com HIV.
Flip Couto, curador e gestor em arte e cultura, idealizador do Coletivo AMEM

“Apoiar a Venezuela hoje exige romper a lógica assistencialista e apostar em respostas de base comunitária, com financiamento, formação e articulação regional.
Para isso, é necessário criar estratégias ágeis para identificar e fortalecer quem já sustenta o cuidado no dia a dia: lideranças comunitárias, coletivos locais, ativistas, profissionais e redes de apoio que atuam nos territórios e grupos mais fragilizados do país.
Também precisamos refletir sobre a crise migratória venezuelana. Em contextos de colapso político, econômico e humanitário, o HIV e outras ISTs atravessam fronteiras, enquanto pessoas em deslocamento forçado enfrentam rupturas no tratamento, dificuldades no acesso à prevenção e maior vulnerabilidade social nos países de acolhida.
A América Latina como todo tem um grande desafio pela frente!”
Márcia Leão, Coordenadora Executiva do Fórum Ong aids RS

“O acolhimento de venezuelanas e venezuelanos vivendo com HIV e Aids no Brasil reafirma o compromisso do país com os direitos humanos e com os princípios do SUS. A Lei de Migração e a Lei do Refúgio asseguram que migrantes, refugiadas(os) e solicitantes de refúgio tenham acesso integral ao SUS, em igualdade de condições com a população brasileira, incluindo acompanhamento clínico, exames e tratamento antirretroviral desde a entrada no país, independentemente da regularização migratória.
Garantir um acolhimento pleno e sem barreiras a essa população não é apenas uma resposta humanitária, mas uma ação estratégica de saúde pública que valoriza e fortalece o SUS. A inclusão de todas as pessoas no cuidado integral é princípio constitucional do sistema e condição essencial para o enfrentamento do HIV e Aids, reafirmando que o direito à vida e à saúde é inegociável, sem discriminação por origem ou condição migratória.”
Jenice Pizão, integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas

“Tem que estar preparado, a gente tem que atender e a gente faz o nosso papel de vizinhos de solidários independente do que a gente acha que está acontecendo lá.
Uma coisa que está claro pra todo mundo é o total desrespeito à soberania de cada país, isso não pode acontecer, a gente tem que brigar nas esferas maiores. Ninguém quer uma briga, uma luta, uma guerra declarada direto com países tão fortes, mas a gente tem é que conversar como sociedade evoluída e moderna deve fazer, pra chegar a uma decisão. Mas independente disso a decisão do Brasil é acolher essas pessoas.”
Leia também:
Ativistas se posicionam sobre a realidade das pessoas vivendo com HIV na Venezuela
Solidariedade sem fronteiras: como o SUS atende venezuelanos vivendo com HIV no Brasil
Ministério da Saúde envia equipe para monitorar o cenário sanitário na fronteira com a Venezuela
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dicas de entrevista:
Flip Couto
E-mail: funkflip@gmail.com
Márcia Leão
E-mail: marciableao@gmail.com
Jenice Pizão
Instagram do MNCP: mncp_brasil




