G20 assume compromisso global para romper o ciclo entre desigualdade e pandemias

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A declaração ministerial divulgada após o encontro do G20 de Saúde, realizado em Polokwane, estabelece ações concretas para proteger a saúde pública por meio do enfrentamento das desigualdades. O documento detalha passos globais e nacionais para combater os fatores que alimentam pandemias como a aids e a tuberculose, ampliar o acesso a medicamentos e fortalecer a segurança sanitária internacional.

A liderança da África do Sul à frente do G20 foi amplamente elogiada por especialistas como o prêmio Nobel de Economia Joseph E. Stiglitz, o epidemiologista Sir Michael Marmot e a ativista Monica Geingos, ex-primeira-dama da Namíbia e presidente executiva da One Economy Foundation. Os três são copresidentes do Conselho Global sobre Desigualdade, Aids e Pandemias, iniciativa criada pelo Unaids.

O texto da declaração está em consonância com o relatório recém-lançado pelo Conselho Global, intitulado “Quebrando o ciclo desigualdade-pandemia: construindo uma verdadeira segurança em saúde em uma era global”. O documento revela como as desigualdades tornam as pandemias mais prováveis, letais e onerosas — e como, em contrapartida, as crises sanitárias aprofundam as desigualdades sociais e econômicas.

O relatório foi apresentado oficialmente em Joanesburgo, na segunda-feira (3), e posteriormente entregue ao presidente Cyril Ramaphosa em Cidade do Cabo, antes de ser discutido pelos ministros da saúde em Polokwane.

Entre as ações destacadas na declaração estão:

* Promover o acesso rápido e acessível a medicamentos pandêmicos, como os antirretrovirais injetáveis de longa duração para o HIV;

* Enfrentar o impacto do endividamento dos países na vulnerabilidade global à novas pandemias;
* Atuar sobre os determinantes sociais da saúde, reconhecendo que fatores como pobreza, educação e moradia influenciam diretamente a saúde pública.

A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, que coordena o Conselho Global, elogiou a liderança sul-africana por promover o acesso a medicamentos, debater o financiamento da saúde e avançar na cobertura universal por meio do seguro nacional de saúde.

“O presidente Ramaphosa está iluminando o caminho para um mundo mais justo e seguro. A desigualdade é nociva à saúde pública. Agir internacionalmente para combatê-la beneficia a todos”, afirmou Byanyima.

O epidemiologista Sir Michael Marmot reforçou a urgência de romper o ciclo desigualdade-pandemia:

“A África do Sul está certa ao insistir que esse ciclo pode ser quebrado. Ignorar o problema seria perigoso e insustentável. Precisamos abandonar o fracasso da austeridade e investir em saúde e nos determinantes sociais.”

O economista Joseph Stiglitz parabenizou o país pelo modelo de liderança em saúde, destacando o papel do seguro nacional. Ele também fez um apelo aos países do Norte Global para que eliminem as barreiras que impedem o acesso a tecnologias médicas salvadoras.

“Vírus não conhecem passaportes ou vistos. Precisamos garantir que todos estejam seguros para proteger toda a população mundial de futuras pandemias”, alertou.

Já Monica Geingos destacou o papel conjunto dos governos e da sociedade civil: “Temos liderança da África do Sul e de outros países, temos a ciência e as evidências do que precisa ser feito. Quebrar o ciclo desigualdade-pandemia não é apenas o certo a fazer — é também o mais inteligente.”

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações

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