G1: Piracicaba e Limeira registram recorde de sífilis materna; doença pode provocar aborto espontâneo

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Infecção Sexualmente Transmissível (IST) pode atingir órgãos vitais, levar a sequelas irreversíveis e até mesmo a morte. No entanto, se diagnosticada precocemente, é curável, geralmente tratada com antibióticos.

Piracicaba (SP) e Limeira (SP) registraram recorde de casos de sífilis congênita em 2023. A doença em mulheres grávidas pode ser transmitida para a criança durante a gestação ou o parto, e pode provocar sequelas graves, como a cegueira, e até mesmo abortos espontâneos. Veja, mais abaixo, os números da região.

A sífilis pode ser detectada durante o pré-natal. Caso a gestante teste positivo para a infecção, é feito o acompanhamento médico tanto da mulher quanto do parceiro sexual. É recomendável que a testagem seja feita em três momentos:

  • no 1º trimestre da gestação,
  • no 3º trimestre da gestação,
  • no momento do parto ou em casos de aborto.

O Dr. Hamilton Bonilha, infectologista do Instituto de Vacinação e Infectologia de Piracicaba, diz que o aumento dos casos na região refletem a realidade brasileira e mundial.

“Essas informações, no que se referem as gestantes, geram muita preocupação em relação à transmissão congênita da sífilis, expondo ao risco de aborto prematuro, baixo peso, morte e malformações do feto”, diz.

O que é a sífilis?

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada por uma bactéria. Ela pode causar vários sintomas e tem diferentes fases, sendo possível atingir órgãos vitais, levar a sequelas irreversíveis e até mesmo a morte. Mas é muito importante ressaltar que ela é curável, geralmente tratada com antibióticos.

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento da sífilis congênita é realizada com penicilina cristalina ou procaína, durante 10 dias.

O que acontece caso um bebê seja infectado pela sífilis?

Geralmente, os recém-nascidos inicialmente não apresentam sintomas. A doença começa a se manifestar nos primeiros três meses, durante ou após os dois anos de vida da criança.

Alta na região

No último ano, Piracicaba teve alta de 31,4% dos casos, com 159 registros da doença em mulheres gestantes. O número é recorde na série histórica deste 2014. No primeiro trimestre desse ano, foram 27 casos: 18 em grávidas na faixa etária dos 15 aos 24 anos.

Limeira também teve alta de casos no último ano: foram 131 registros em gestantes em 2023, 103 em meninas e mulheres dos 15 aos 24 anos, 123% a mais do que o registrado na mesma faixa etária em 2022.

Em Santa Bárbara d’Oeste, foram 159 casos registrados em 2023. No entanto, houve queda de 34% no primeiro trimestre deste ano (27 registros) em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 41 gestantes testaram positivo para a infecção.

O infectologista da Unicamp atrela essa alta de casos a uma mudança de comportamento, principalmente na faixa etária mais jovem.

“A causa parece estar relacionada diretamente a mudança de comportamento sexual, principalmente na falta do uso de preservativo interno e externo, fruto da perda do receio da transmissão do HIV, que passou a ser uma doença de fácil controle com a adesão à terapia medicamentosa antiviral”, diz Bonilha.

Prevenção, testagem e tratamento

Como prevenir a sífilis?

Como a maioria das ISTs, o uso do preservativo interno ou externo é a principal estratégia para prevenir a doença.

O dr. Bonilha destaca a importância de incentivar a conscientização sobre a importância do uso do preservativo na prevenção da sífilis e de outras ISTs.

“A execução de campanhas públicas para testes rápidos para identificar os infectados e a necessidade da realização de exames de sangue para HIV e sífilis no primeiro e terceiro trimestre da gestação são ações fundamentais para se evitar o avanço dessas doenças”, afirma.

A testagem é outra tática importante. O diagnóstico rápido possibilita um tratamento precoce e diminui a possibilidade de transmissão para outras pessoas — e pode ser feita na maioria UBSs. Geralmente, a doença é silenciosa.

Como a sífilis evolui?

Geralmente, a sífilis começa com uma ferida indolor e vai se desenvolvendo em estágios; os sintomas variam a cada fase. É comum que essa ferida apareça na genitália, no reto ou na boca. Quando a ferida é curada, começa a segunda fase, caracterizada por uma irritação na pele. A fase final pode levar anos até se manifestar e pode resultar em danos severos para órgãos como o cérebro, olhos ou coração.

As principais complicações da doença, caso não seja tratada, são: aborto espontâneo, parto prematuro, malformação do feto, surdez, cegueira, alterações ósseas, deficiência mental e morte ao nascer.

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