Futuro da Saúde: Nova política nacional contra o HPV também fortalece a prevenção do câncer de cabeça e pescoço

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A recente aprovação, pelo Senado Federal, da Política Nacional de Enfrentamento da Infecção por Papilomavírus Humano (HPV) pode representar um avanço histórico na saúde pública brasileira. O projeto de lei 5.688/2023, que agora aguarda sanção presidencial, estabelece uma estratégia nacional de prevenção, diagnóstico e tratamento da infecção por HPV, uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo.

As consequências da infecção por HPV vão muito além do colo do útero, embora este continue sendo o tipo de câncer mais fortemente associado ao vírus, com o registro de mais de 17 mil casos anuais no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Mas é fundamental compreender que o HPV também está relacionado ao aumento expressivo de casos de tumores de orofaringe. Esse tipo de câncer, que antes era mais comum em homens acima dos 60 anos com histórico de tabagismo e alcoolismo, hoje atinge pessoas mais jovens, sexualmente ativas e, muitas vezes, sem esses fatores de risco evitáveis.

Um estudo nacional coordenado pelo INCA, citado durante a aprovação da lei, revelou que mais da metade da população de jovens de 16 a 25 anos (53,6%) estava infectada por algum subtipo do HPV. Entre os casos positivos, 38,4% apresentaram genótipos de alto risco para o desenvolvimento de câncer — incluindo o de colo do útero, pênis, canal anal e orofaringe (boca, língua e laringe).

Diante desses dados, a nova política nacional chega como resposta necessária e urgente. Ela prevê a ampliação da vacinação, ações educativas, acesso ao diagnóstico (com testes físicos, laboratoriais e moleculares), tratamento ambulatorial e o fortalecimento da notificação e da pesquisa científica.

Julho Verde incentiva conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço

A aprovação da Política Nacional de Enfrentamento da Infecção por HPV reforça a mensagem do Julho Verde, mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. Neste ano, a 9ª Campanha Nacional de Prevenção desenvolve o tema “Da boca aos pulmões: inspire prevenção, expire saúde”. O objetivo é claro: ampliar o acesso à informação, estimular o diagnóstico precoce e lembrar que, quando se trata de câncer, a prevenção é a forma mais eficaz de salvar vidas.

No caso do câncer de cabeça e pescoço, os sintomas iniciais (como feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir) muitas vezes são desconhecidos ou ignorados. E quando o tumor é diagnosticado tardiamente, o tratamento costuma ser mais agressivo, com sequelas físicas e funcionais graves.

Entre os fatores de risco, continuam em destaque o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a exposição solar sem proteção (associada ao câncer de pele na região da cabeça e pescoço) e, cada vez mais, a infecção por HPV. Também é preciso estar atento às possíveis metástases pulmonares, que podem ocorrer nos casos mais avançados da doença e agravar significativamente o quadro clínico.

Por isso, incentivar a vacinação contra o HPV, fortalecer a atenção básica para identificar os sinais da doença e garantir tratamento e reabilitação dignos são compromissos que devem ser assumidos por todos.

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