França tem prevalência de HIV de 0,3%, enquanto Senegal enfrenta avanço das infecções e endurecimento de leis

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França e Senegal se enfrentam no dia 16 de junho de 2026, às 16h (horário de Brasília), pela primeira rodada do Grupo I da Copa do Mundo. A partida será disputada no Nova York/Nova Jersey Stadium, nos Estados Unidos.

Embora apresentem prevalência semelhante de HIV na população adulta — 0,3% em pessoas de 15 a 49 anos — os dois países vivem realidades bastante diferentes no enfrentamento da epidemia. Enquanto a França se destaca pelos altos índices de diagnóstico, tratamento e supressão viral, o Senegal enfrenta aumento das infecções e críticas internacionais por políticas que afetam populações vulneráveis.

França registra cerca de 6 mil novos diagnósticos por ano

Os jogadores da França campeões da Copa do Mundo de 2018 que estão em 2022 | Goal.com Brasil

Segundo dados do Unaids, a França tinha cerca de 180 mil pessoas vivendo com HIV até 2023. Destas, 94% conheciam seu estado sorológico, 96% estavam em tratamento antirretroviral e 98% das pessoas em tratamento haviam alcançado a supressão viral.

Em 2024, o país registrou aproximadamente seis mil novos diagnósticos de HIV. Apesar dos avanços, a epidemia continua concentrada em determinados grupos e regiões. A região de Île-de-France, onde está localizada a capital Paris, concentra 43,5% das pessoas vivendo com HIV, embora reúna apenas 19% da população francesa.

Os homens representam cerca de 70% dos novos diagnósticos. Entre eles, três em cada quatro casos ocorrem entre homens que fazem sexo com homens (HSH). As mulheres respondem por 28,8% das novas infecções.

Os estrangeiros residentes na França também são desproporcionalmente afetados. Embora representem apenas 6% da população do país, correspondem a 18% das pessoas vivendo com HIV. Entre as mulheres diagnosticadas, 31% são estrangeiras. Entre os homens, o percentual é de 13%.

Organizações da sociedade civil alertam que barreiras linguísticas, receio de deportação e dificuldades burocráticas ainda dificultam o acesso regular à prevenção e ao tratamento por parte dessa população.

Pioneirismo na prevenção

A França registrou seu primeiro caso de aids em 1982 e, desde então, construiu uma das respostas mais estruturadas da Europa ao HIV.

O país autorizou o uso da zidovudina (AZT) em 1987 e incorporou a terapia antirretroviral combinada ao sistema público de saúde em 1996. Também foi um dos primeiros países europeus a oferecer a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) pelo sistema público, a partir de 2016.

Atualmente, estão disponíveis tanto a PrEP oral diária, baseada em tenofovir e emtricitabina, quanto a versão injetável de longa duração, aplicada a cada dois meses e baseada em cabotegravir.

Senegal registra aumento de 36% nas infecções desde 2010

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No Senegal, o cenário é mais preocupante. Dados do Unaids mostram que as novas infecções por HIV cresceram 36% entre 2010 e 2024, tornando o país um dos quatro da África Ocidental e Central que registraram aumento nos diagnósticos no período.

Atualmente, cerca de 48 mil pessoas vivem com HIV no país. A prevalência entre adultos de 15 a 49 anos também é de 0,3%, mas entre homens que fazem sexo com homens chega a 27,6%, um dos índices mais elevados da região.

Especialistas apontam que o estigma, a discriminação e a criminalização de populações-chave dificultam o acesso aos serviços de saúde e representam obstáculos ao controle da epidemia.

Endurecimento de leis preocupa organizações internacionais

Em março de 2026, o Parlamento senegalês aprovou uma legislação que ampliou de cinco para dez anos a pena máxima de prisão para relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e passou a criminalizar a chamada “promoção” da homossexualidade. A medida foi sancionada pelo presidente Bassirou Diomaye Faye.

O Unaids criticou a decisão e afirmou que evidências científicas demonstram que a criminalização afasta pessoas dos serviços de saúde, aumenta o estigma e dificulta a resposta ao HIV.

A preocupação foi reforçada após uma operação policial realizada em fevereiro deste ano na capital Dakar. De acordo com a HIV Justice Network, ao menos 62 pessoas foram presas sob acusações relacionadas a relações homossexuais e suposta transmissão intencional de HIV.

Entre os detidos estava o apresentador de televisão Pape Cheikh Diallo. Segundo a organização, pelo menos 24 pessoas foram formalmente acusadas de transmissão intencional do vírus.

A HIV Justice Network afirma que, na prática, o diagnóstico positivo para HIV passou a ser um fator determinante para a manutenção das prisões. Pessoas testadas negativamente eram liberadas, enquanto aquelas com resultado positivo permaneciam detidas.

Organizações de direitos humanos e entidades de saúde pública argumentam que a criminalização do HIV e da população LGBTQIA+ prejudica a prevenção, afasta pessoas dos serviços de saúde e dificulta o alcance das metas globais de controle da epidemia.

Mais números

França

* População: 68,6 milhões de habitantes
* Pessoas vivendo com HIV: 180 mil
* Prevalência de HIV (15 a 49 anos): 0,3%
* Novos diagnósticos anuais: 6 mil

Senegal

* População: 18,5 milhões de habitantes
* Pessoas vivendo com HIV: 48 mil
* Prevalência de HIV (15 a 49 anos): 0,3%
* Crescimento das novas infecções desde 2010: 36%

Sobre os países

Localizada na Europa Ocidental, a França é uma das principais potências econômicas e políticas do mundo. O país possui um sistema público de saúde de cobertura universal e forte tradição em pesquisa científica. Bicampeã mundial de futebol, a seleção francesa conquistou os títulos da Copa do Mundo em 1998 e 2018 e tem em Kylian Mbappé sua principal estrela.

Já o Senegal está situado na costa oeste da África e tem em Dakar seu principal centro político, econômico e cultural. A seleção senegalesa conquistou a Copa Africana de Nações em 2021 e alcançou as quartas de final da Copa do Mundo de 2002. O atacante Sadio Mané é considerado o maior nome da história recente do futebol do país.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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