FÓRUNS DE ONG/AIDS AFIRMAM QUE ATIVISTA PROCURA ‘PÊLO EM OVO’ AO ENTRAR NA JUSTIÇA CONTRA CARTAZ DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

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14/2/2007 – 18h

Uma atitude “um pouco radical”. Foi assim que os presidentes dos Fóruns de ONG/Aids no País, consultados pela reportagem, classificaram a ação realizada pelo ativista José Araújo de Lima, coordenador da AFXB do Brasil (Casa de Apoio a Crianças que vivem com HIV/AIDS em São Paulo). No início desta semana, Lima entrou com representação no Ministério Público Federal contra cartaz de prevenção , voltado para bares, do Programa Nacional de DST/Aids, por achar que o material induz o consumo de álcool (saiba mais). Os ativistas acreditam que o Grupo de Comunicação, que assessora o PN e é formado por ativistas, deve ser mais participativo e ter mais poder de decisão.

“Não concordo com ele [o Araújo], mas cada um tem o direito de fazer o que quiser. Só creio que é um pouco exagerada essa atitude, um desgaste desnecessário. O foco principal da questão é nossa participação mais efetiva nas instâncias de decisão de campanhas e promover mais diálogos com o governo”, disse o presidente do Fórum de ONG/Aids, Roberto Pereira, ao referir-se que as decisões finais de veiculação de cartazes e outras mídias é da Secretaria de Comunicação do Planalto Central.

Araújo afirmou em entrevista nesta semana que “mesmo que o processo não dê me nada, fico com a sensação de dever cumprido [como ativista]”.

Wladmir Reis, presidente do Fórum de ONG Pernambuco informou que o material já foi distribuído em bares do Estado. “Se o material é só para estes locais, acho que não agride o público. Mas mesmo assim, a atitude foi um pouco drástica”, comentou.

O coordenador da AFXB do Brasil solicita na justiça que o Ministério da Saúde retire o material de circulação e inclua o número de telefone do disque saúde, além da inscrição “a venda de bebidas alcoólicas é proibida para menores de 18 anos”. Segundo ele, isso é uma forma de “consertar um cartaz de péssimo gosto”.

“Não acho o material as mil maravilhas do mundo, mas entrar na justiça é procurar pêlo em ovo. Talvez seria interessante que o cartaz tivesse uma cena real de um casal num bar. Essa situação é uma cortina de fumaça. Era uma demanda da sociedade civil ter uma material voltado para bares”, disse o presidente do Fórum de ONG em Santa Catarina, Alexandre Martins.

“O Araújo tinha que ter entrado com essa ação antes da distribuição, agora não adianta mais. O cartaz é feio, mas não acho que incentive o uso de álcool”, disse Márcia Ribas, presidente do Fórum de ONG do Distrito Federal.

Rodrigo Vasconcellos

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