9/3/2007 – 17h20
Uma carta aberta elogiando a Igreja Católica em alguns quesitos e discutindo desafios como a camisinha e o reconhecimento de homossexuais é uma das ações que o Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo pretende realizar com a vinda do papa Bento XVI ao Brasil. A discussão sobre o tema foi realizada na manhã desta sexta-feira (9), durante a reunião das organizações sociais. Os ativistas também pretendem realizar protesto no centro de São Paulo, na ocasião do evento religioso, em maio. Ainda durante a manhã, houve discussões sobre o movimento social com fortes críticas realizadas por José Marcos de Oliveira, membro do Conselho Nacional de Saúde.
Oliveira, que irá redigir a carta à autoridade da Igreja Católica, criticou o movimento social por participar da maioria das reuniões como um “ouvinte”. “Estou cansado das pessoas trazerem problemas, mas não assumirem nenhum tipo de responsabilidade”, desabafou.
A crítica surgiu no momento em que o presidente do Fórum, Américo Nunes, perguntou aos participantes da reunião quem iria ajudar a articulação das ações em maio e ninguém se prontificou. José Marcos de Oliveira disse que, já que ninguém quis ajudá-lo, irá tomar a liberdade de se articular com outros movimento sociais, como o feminista, para incluir o tema o direito ao aborto, outra questão polêmica.
Depois das críticas acaloradas, o coordenador da AFXB Brasil, José Araújo, fez ressalvas para a composição da carta. “Creio que existem sérias críticas sim à Igreja Católica, mas devemos lembrar que o ex- cardeal-arcebispo de São Paulo [Dom Cláudio Hummes] foi a favor da licença compulsória de medicamentos. Não vejo evangélicos tomarem algum partido em questões polêmicas como essa”, refletiu o ativista.
A chegada de Bento XVI está prevista para o dia 9 de maio. A manifestação será no dia 10, no Largo São Bento, no centro da capital paulista.
Protestos
O presidente da RNP+ Sol de Araraquara, interior do Estado, disse que a ONG fará um protesto no próximo dia 15 devido a uma reunião de quatro dias na cidade com secretários municipais e a Secretaria Estadual de Saúde, com abertura realizada pelo Ministro da Saúde, Agenor Álvares.
O Fórum irá encaminhar uma carta ao evento com reivindicações como a falta de medicamentos no Sistema Único de Saúde, da imunoglobulina e também uma reclamação sobre a administração do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Desde o ano passado, o corpo clínico do hospital está em crise com a direção do local por condições ruins de assistência aos pacientes do local.
Lula
José Araújo de Lima relembrou durante a manhã também que a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi histórica. “Agora podemos reivindicar políticas públicas que o Lula disse, como a distribuição gratuita de camisinhas”, disse.
Nesta semana, Lula defendeu a distribuição gratuita nas escolas e afirmou que o sexo precisa deixar de ser tabu em casa e nas escolas do país para que se possa combater com sucesso a Aids e a gravidez precoce.
Araújo considerou a fala do presidente “brilhante” e irá escrever uma carta, em nome do Fórum, parabenizando-o e também cobrando mais ações em prevenção de DST/Aids.
Rodrigo Vasconcellos



