Folia com saúde: Dicas do infectologista Hilton Luís para curtir o pré-Carnaval com prevenção combinada

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O pré-Carnaval já começou e, com ele, a energia contagiante das festas de rua, blocos e ensaios que tomam conta do Brasil. Mas, além da animação, é essencial que os foliões também se preocupem com a saúde sexual. Afinal, a folia passa, mas o cuidado com o corpo e o bem-estar ficam.

A prevenção combinada é a grande aliada de quem quer curtir com responsabilidade. Essa estratégia une diferentes métodos para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sífilis e gonorreia, além de evitar gestações não planejadas. Confira as principais dicas para aproveitar o reinado de Momo sem preocupações:

1. Use preservativo e gel lubrificante

O preservativo é o método mais acessível e eficaz para evitar ISTs e pode ser retirado gratuitamente nos postos de saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Muitas cidades também distribuem camisinhas em blocos e festas de rua durante o Carnaval. O gel lubrificante, que reduz o risco de lesões durante a relação, também está disponível gratuitamente na rede pública de saúde.

O infectologista Dr. Hilton Luís, de Pelotas (RS), destaca que as camisinhas são a “velha guarda no bloco da proteção” contra outras ISTs. “É verdade que muita gente, usando ou não a PrEP, acaba deixando a camisinha de lado. Saber que essa atitude pode abrir alas para outras ISTs como sífilis, gonorreia e clamídia é o mais importante. A dica é: não deixe a fantasia de lado, sempre que possível use preservativo. Se aliado à PrEP, então, dá pra curtir todos os ritmos sem preocupação!”

Onde encontrar?

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS)
  • Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA)
  • Programas municipais de prevenção em festas e blocos

2. PrEP e PEP: prevenção para quem precisa

Se você planeja ter uma vida sexual ativa neste Carnaval e quer se proteger contra o HIV, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) pode ser uma boa opção. O medicamento reduz significativamente o risco de infecção e está disponível gratuitamente no SUS para quem se encaixa nos critérios de elegibilidade.

Dr. Hilton Luís lembra que, se a PrEP diária já é uma grande aliada na prevenção do HIV, a PrEP sob demanda “chega sambando na avenida” como uma opção estratégica para quem tem uma rotina de relações sexuais infrequentes. “A PrEP é ideal para aqueles momentos em que o ritmo esquenta e você decide curtir sem compromisso. Na estratégia sob demanda, programe-se para iniciar no dia anterior ou no dia de cair no samba com mais tranquilidade e, se seguir tendo relações, mantenha o uso até dois dias após a última relação sexual.”

Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é indicada para situações de risco, como rompimento do preservativo ou sexo sem camisinha. O tratamento deve ser iniciado em até 72 horas após a exposição para ser eficaz.  

“PEP é a maior aliada após uma relação sexual sem proteção. Se rolou aquela história durante a folia e você acha que houve exposição ao HIV, a PEP é a sua passista de confiança na urgência e emergência. Os primeiros passos? Dirija-se rapidamente a um serviço de saúde que ofereça a profilaxia pós-exposição, geralmente nos feriados procure as UPAS ou outros pronto atendimentos médicos. O tempo é ouro: ela deve ser iniciada em até 72 horas após essa exposição de risco e dura 28 dias”.

Onde encontrar?

  • PrEP: CTA e serviços especializados em HIV/aids
  • PEP: serviços de urgência e emergência, CTA e hospitais de referência

3. Testagem rápida: tire suas dúvidas

O diagnóstico precoce é essencial para iniciar o tratamento e evitar a transmissão. Os testes rápidos estão disponíveis gratuitamente em unidades de saúde e campanhas de prevenção durante o Carnaval.

Segundo o médico, a testagem rápida é o verdadeiro “abre-alas da prevenção”. “Ela ajuda a identificar precocemente qualquer IST e permite que você cuide da sua saúde e da dos outros. Nada melhor do que cair na folia com a tranquilidade da saúde em dia, não é?”

Onde testar?

  • CTA e UBS
  • Ações de saúde em blocos e festas
  • ONGs e projetos comunitários

4. Redução de danos

Durante o Carnaval, é comum o uso de álcool e outras substâncias. Segundo Dr. Hilton, quem pratica chemsex deve redobrar os cuidados.

“Chemsex com redução de danos é curtir sem perder o ritmo. Hidrate-se bem, conheça os limites do seu corpo e esteja sempre acompanhado de pessoas de confiança. Lembre-se de se alimentar e manter o uso de TARV, PEP ou PrEP”, orienta.

Se alguém passar mal ao combinar álcool e outras drogas, chame o SAMU imediatamente.

5. Hidratação, alimentação e consentimento

Além da prevenção sexual, o Carnaval pede cuidados gerais com o corpo. Beba água regularmente, alimente-se bem e respeite seus limites.

“Calor, folia e cuidado é a mistura para um Carnaval inesquecível. Desidratação e queda da imunidade podem acontecer. Beba bastante água, alimente-se bem diariamente e dê umas pausas para recarregar as baterias”, aconselha Dr. Hilton.

E lembre-se: consentimento é fundamental. “Não pressione ninguém e valorize o diálogo antes de qualquer interação íntima.”

Onde buscar informações?

Para saber mais sobre prevenção combinada, acesse sites e redes sociais do Ministério da Saúde, Unaids e outras entidades de saúde pública.

Curta com responsabilidade e leve seu brilho, sua fantasia e também sua camisinha para a festa do Rei Momo!

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

Dr. Hilton Luís

Instagram: drhiltonsaudelgbt

E-mail: drhiltonsaudelgbt@gmail.com

 

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