Folha de S. Paulo: O que Nunes e Boulos propõem para a saúde em São Paulo

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Embora com planos considerados vagos por especialistas, os candidatos à Prefeitura de São Paulo que disputarão o segundo turno, Ricardo Nunes e Guilherme Boulos, acertam em alguns pontos:

Ambos mencionam o aumento do uso da telemedicina, com investimento em saúde digital;

Os dois falam na implantação de programas voltados à distribuição de remédios;

As duas propostas citam o fortalecimento do sistema de fiscalização de contratos com parceiros. Este é um dos pontos-chaves na saúde pública, de acordo com Lígia Bahia, especialista em saúde pública na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Por que importa? As propostas impactam no funcionamento da saúde pública da cidade (sim, mesmo quem tem plano de saúde, mas toma vacina na rede pública, por exemplo, se beneficia do SUS).

Ambos os candidatos falham, no entanto, ao:

– Ignorarem o que será um dos maiores problemas da saúde pública nos próximos anos: prevenção, diagnóstico precoce e tratamento para câncer. Estudos apontam tendência de aumento de casos em adultos até 2030 no mundo;

– Ignorarem a falta de transparência nas filas de exames e cirurgias.

Para “acabar” com as filas, Boulos propõe o Poupatempo da Saúde, com a criação de 16 equipamentos de policlínicas e centros de diagnóstico em todas as regiões da cidade. Nunes fala na modernização da infraestrutura e a expansão dos hospitais municipais.

Em matéria publicada em agosto, ouvimos especialistas que explicam que o problema, na verdade, não são as filas, mas o tempo de espera.

Tá, mas quais pontos os diferenciam?

Nunes

Promete a ampliação do Programa de Saúde da Família (PSF), ponto importante para a redução da mortalidade infantil e para o acompanhamento de doenças crônicas. Mas não há especificação sobre como isso será feito.

O atual prefeito restringe a cobertura de saúde da mulher a ampliação de serviços de prevenção, tratamento e planejamento familiar, “além de campanhas educativas sobre direitos reprodutivos”. Lígia Bahia chama atenção para o fato de que foi durante a gestão Nunes que o serviço de aborto legal foi suspenso no Hospital Vila Nova Cachoeirinha, antes referência no serviço na cidade.

Boulos

O candidato do PSOL propõe um projeto que considera as desigualdades da cidade: ele fala em eliminar os vazios assistenciais na saúde implantando equipamentos nas regiões de maior demanda. É importante um olhar crítico em determinantes da saúde, diz Rebeca Freitas, diretora de relações institucionais do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde).

O deputado federal, no entanto, não menciona a cobertura de saúde da mulher no seu plano de governo.

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