Foaesp e Mopaids publicam cartas em defesa do CRT/Aids de São Paulo e pedem mais investimentos na luta contra a aids no Estado

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Movimentos protestam contra fechamento de centro de referência em Aids em São Paulo

As notícias sobre possíveis mudanças na Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e, consequentemente, no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo (CRT) continuam repercutindo entre o movimento de luta contra a aids. O Fórum de ONG/aids do Estado e o Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids) publicaram cartas em defesa do CRT, destacando a importância do serviço  na resposta à aids no Brasil e no mundo. 

O Foaesp, por exemplo, destacou que o Programa Estadual e o CRT são fundamentais para o avanço da política de aids. “Diante dessas notícias, apontamos que a manutenção da atual estrutura do CRT e do Programa Estadual de DST/aids, que completou 40 anos em 2023, é fundamental para a resposta ao HIV/aids no estado de São Paulo.”

O Fórum trouxe no documento dados da Fundação Seade, que diz que, em 2022, a mortalidade por aids no estado de São Paulo caiu 78% desde 1995, ano do pico de mortes pela doença. “Na década de 1990, foram 7.739 mortes, sendo 5.850 homens. Em 2021, foram 1.719 mortes, sendo 1.237 entre a população masculina.” 

O Foaesp fez ainda um apelo pela manutenção da estrutura do serviço, argumentando ser crucial para evitar retrocessos nos casos de HIV/aids e na resposta à aids de forma geral.

Já o Mopaids, movimento que reúne ONGs/Aids da cidade, redes de pessoas com HIV/aids, ativistas independentes e profissionais de saúde, destacou em seu documento a urgência de implementar novos serviços, expandir o quadro de profissionais de saúde e adotar tecnologias de tratamento e prevenção inovadoras. 

“Mesmo com a declinação da proposta de reestruturação, reiteramos nossa preocupação a fim de evitar retrocessos na política de IST/aids, assim como na qualidade da assistência às pessoas com HIV/aids e considerando as necessidades da população Trans e Travestis. No Estado de São Paulo estamos diante de uma epidemia concentrada em populações-chave e em maior situação de vulnerabilidade. É imperativo que avancemos em meio a tantos desafios e não nos calemos diante de tal proposta.”

Entenda

Segundo informações que circulam nas redes sociais e em grupos de whatsapp, o atual governo vai extinguir a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), órgão responsável pelo Centro de Referência e Treinamento em IST/Aids de São Paulo (CRT). Os ativistas temem que o CRT, que existe de 1983 e atende mais de 6 mil pessoas vivendo com HIV/aids, fique subordinando ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas ou seja administrado por uma organização social.

Outro lado

Em entrevista à Agência Aids, a médica Regiane Cardoso de Paula, epidemiologista e atual coordenadora da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), esclareceu que não ocorrerão mudanças no Centro de Referência e Treinamento (CRT). Ela assegura que a Secretaria de Estado de Saúde está atualmente discutindo uma reestruturação que transformará as coordenadorias em subsecretarias. Segundo ela, “não haverá extinção da CCD; ao contrário, será criada uma subsecretaria de Vigilância em Saúde, mantendo as mesmas atribuições, mas em um patamar diferenciado.” 

Regiane enfatiza que, no contexto pós-pandemia, a intenção é levar maior agilidade, resposta e preparação para atender à população de todo o Estado de São Paulo e do Brasil.

A coordenadora também compartilha que as autoridades de saúde do Estado estão focadas em tornar o CRT mais dinâmico, acessível e abrangente para toda a população que necessita. De acordo com ela, o objetivo do Estado de São Paulo, sob a liderança do Governador Tarcísio e do secretário de Saúde, é avançar nesse processo para proporcionar um Sistema Único de Saúde (SUS) de maior qualidade a toda a população.

Confira as notas na íntegra:

Nota do Mopaids

Nota FOAESP

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