“Fique do lado do cuidado e acolha”; “Você não me decepcionou”; “Com um abraço eu diria: pode contar comigo sempre!” Nesse dia dos pais, gestores dizem como um pai deve reagir quando recebe a informação que o filho ou a filha tem HIV

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Segundo domingo de agosto comemora-se o  Dia dos Pais. A origem da data vem de longe: foi criada em 1910 nos Estados Unidos.A norte-americana Sonora Smart Dodd quis homenagear o próprio pai.O pai era um veterano da guerra que criou seis filhos sozinho após a morte da esposa.A primeira festa ocorreu em 19 de junho de 1910, no estado de Washington.A oficialização nacional nos EUA aconteceu apenas em 1972, pelo presidente Richard Nixon.Em nosso país, o  publicitário Sylvio Bhering criou a data no segundo semestre de 1953.A ideia era ter uma data festiva equivalente ao Dia das Mães para movimentar o comércio.A data inicial foi o dia 16 de agosto, por coincidir com o dia de São Joaquim (pai de Maria e avô de Jesus).A comemoração mudou para o segundo domingo de agosto para facilitar a reunião das famílias no fim de semana. 
Profissionais que trabalham com o tema HIV/Aids, sexualidade, saúde e prevenção, sabem que é bem complexo para uma pessoa que contraíu o HIV revelar seu diagnóstico pelo receio de julgamento, pelo estigma e os preconceitos que, infelizmente, 45 anos depois, ocupam o imaginário popular sobre o tema. Perguntamos a alguns profissionais que são pais e trabalham no universo da saúde e do HIV, ” como um pai deve reagir, quando  o filho ou  a filha  revelam seu diagnóstico? ” Profissionais, gestores de saúde que, desde o início da pandemia dedicaram muitos finais de semana, muitos feriados, que tiveram que, por dever de ofício, nem sempre estar presentes com a família em datas comemorativas como o  Dia dos Pais. Conheça o que trouxe de contribuição, cada um, para o tema. 

Dr. Arthur Kalichman, Coordenador Geral de Vigilância do HIV/AIDS e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, com a filha Beatriz e o filho David

Se seu filho ou sua filha chegasse para você dizendo que sabe que tem HIV, eu acredito que isso ia ser uma barra pesada inicialmente .Mas é importante você saber que a melhor coisa pra alguém que vive com HIV é saber disso porque sabendo que tem HIV a pessoa pode se cuidar. Você como pai , seu melhor papel é ajudar nesse cuidado. Ajudar que a pessoa se cuide. Ajudar que seu filho ,sua filha se cuide o melhor possível .Hoje com o tratamento, uma pessoa que toma seus remédios, se cuida, usa direitinho as medicações, fica com a carga viral indetectável . O
vírus não é mais encontrado no sangue daquela pessoa.Isso significa que ela não está curada . Mas significa que ela não vai ficar doente e que ela para de transmitir o HIV. Então, hoje em dia ,uma pessoa que tem HIV e tem suporte, tem carinho, tem apoio e tem o SUS consegue se tratar, consegue ficar bem e não desenvolver AIDS e não vai passar o HIV pra ninguém. Nós que somos pais, eu também sou pai ,nosso papel é estar do lado do cuidado, é estar do lado de ajudar o filho ajudar as pessoas que tem HIV a se cuidarem o melhor possível . Hoje tendo acesso ao SUS e tendo condições de suporte material e uma pessoa que vive com HIV vai ficar muito bem o HIV não vai ser um problema na vida dela vai ter que tomar remédio todo dia isso por enquanto ainda é assim mas quem sabe mais pra frente a gente também não chega na cura então Fica acolhido também se alguém se algum filho ou filha chegar para você dizendo que se infectou com o HIV, não é o fim do mundo: se coloque do lado do cuidado não julgue, não culpe acolha o seu filho e ajude ele ajude a ela a se cuidar e ficar o melhor possível.

Alexandre Gonçalves, Diretor Técnico do Centro de Referência e Treinamento em DST?Aids do estado de São Paulo, com os filhos Lucas,Júlia, Vênice,Mariana e Augusto.

imagino que sua cabeça esteja a mil. Se culpar, vergonha, medo do preconceito são sentimentos que aparecem neste momento.
Filho, ou filha, a primeira coisa que eu quero que você saiba é que você não me decepcionou. Nada do que você me contou muda o amor que sinto por você. Algumas pessoas podem não entender, mas hoje sabemos muito mais sobre o HIV do que no passado. Você não está sozinho. Existem tratamentos eficazes, profissionais preparados para ajudar e muitas pessoas que vivem uma vida longa, saudável e feliz com HIV. Não precisa enfrentar tudo de uma vez. Vamos dar um passo de cada vez. Algumas coisas vão mudar, como o acompanhamento da sua saúde e o tratamento. Mas seus sonhos, seus talentos, seus planos e quem você é continuam os mesmos. Você continua sendo meu filho(a), a pessoa que eu admiro e amo.

Dr. Robinson Camargo é Coordenador da Assistência da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo, com as filhas Carolina e Marina

Agência Aids me fez uma pergunta de bate-pronto: qual deve ser a reação de um pai quando sua filha ou filho lhe dissesse que contraiu o HIV?

É claro que o primeiro impulso do pai, que também é médico, seria dizer o mesmo que digo a todos os meus pacientes: que não é o fim do mundo, que hoje os tratamentos são excelentes, que é possível viver com qualidade de vida, e tantas outras orientações. Mas acredito que o profissional que comunicou o diagnóstico já tenha dito tudo isso.
Então, como pai, o que eu faria?
Certamente me levantaria, olharia profundamente em seus olhos, como os pais fazem quando um filho(a) se machuca. Daria um abraço forte, apertado, e não diria nada. Apenas estaria ali, por inteiro, sendo um porto seguro.
Ela(e) saberia, sem que eu precisasse dizer muitas palavras: “Pode contar comigo sempre. Eu te amo, filha (o).”
Há momentos em que um gesto fala muito mais do que qualquer discurso. E esse gesto tem um nome: amor.

Redação Agência Aids

 
 

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