Fiocruz lidera articulação entre institutos de saúde dos BRICS em reunião preparatória para conferência internacional

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) participou, no dia 29 de abril, da primeira reunião dos Institutos Nacionais de Saúde Pública dos países que integram o BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — com a presença também dos Emirados Árabes Unidos e Indonésia, que têm aprofundado sua cooperação com o grupo. O encontro virtual marcou o início das atividades preparatórias para a Conferência dos Institutos Nacionais de Saúde Pública dos BRICS, prevista para ocorrer ainda este ano.

Sob a presidência rotativa do Brasil no grupo em 2024, a Fiocruz desempenhou papel central na articulação do evento, que reuniu representantes das principais instituições de saúde pública dos países-membros. A proposta foi compartilhar experiências, apresentar projetos em andamento e identificar possibilidades concretas de colaboração internacional em temas estratégicos da área da saúde.

O que são os BRICS?

Formado inicialmente em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China (com a África do Sul ingressando em 2010), o BRICS é um grupo de cooperação internacional que reúne grandes economias emergentes com o objetivo de fortalecer o diálogo político, econômico e social entre seus membros. Juntos, os países do BRICS representam cerca de 40% da população mundial e vêm ampliando sua atuação conjunta em áreas como saúde, ciência, educação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

Em 2024, durante a presidência brasileira do bloco, temas como inovação em saúde, desenvolvimento de vacinas e fortalecimento dos sistemas de saúde pública têm ganhado destaque na agenda.

Iniciativas brasileiras no centro do debate

Durante a reunião, a Fiocruz apresentou duas importantes iniciativas coordenadas no âmbito dos BRICS: o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de Vacinas e a Rede de Pesquisa em Saúde Pública e Sistemas de Saúde. Os projetos foram apresentados, respectivamente, por Denise Lobo, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), e pelas pesquisadoras Claudia Hoirisch, do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), e Adelyne Mendes, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Além dessas iniciativas, o Ministério da Saúde e a Anvisa também destacaram projetos relacionados à inteligência artificial na saúde, governança de dados, enfrentamento da tuberculose e fortalecimento da infraestrutura em regiões remotas.

Integração entre institutos e agendas nacionais

Cada país participante apresentou as particularidades de suas instituições de saúde pública, abordando desde suas missões e estruturas até os projetos em andamento e áreas potenciais de colaboração. A presidente em exercício da Fiocruz e vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais, Maria de Lourdes Aguiar Oliveira, foi a responsável por apresentar o histórico e os principais eixos de atuação da Fundação, uma das mais respeitadas instituições científicas da América Latina.

A condução da reunião ficou a cargo do assessor da Presidência da Fiocruz para Assuntos Internacionais, João Miguel Estephanio, que também atua como relator-geral da Conferência dos BRICS.

Ao fim do encontro, foi apresentado um esboço do programa da conferência, que deverá aprofundar os temas debatidos e consolidar estratégias conjuntas para o enfrentamento de desafios globais em saúde.

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