Este curso contou com um lançamento especial presencial no âmbito do II Colóquio Outubro Verde, promovido pela Rede Sífilis e Outras Doenças de Transmissão Vertical (Rede Sífilis-DTV) na sede do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (IFF/Fiocruz), no Rio de Janeiro. O curso tem como coordenadores, na Fiocruz, a Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e o Campus Virtual Fiocruz. Os módulos já disponíveis para serem cursados são: Diretrizes para o diagnóstico da sífilis e Diretrizes para o diagnóstico da gonorreia, da clamídia e de outras IST.
O curso está organizado em cinco módulos, que abordam as diretrizes para o diagnóstico do HIV, da sífilis, das hepatites virais A, B, C, D e E, da gonorreia, da clamídia e de outras IST, incluindo a infecção por HTLV. A formação também contempla os procedimentos de coleta de sangue para exames laboratoriais, com orientações sobre identificação e acondicionamento de amostras, biossegurança e boas práticas. Neste primeiro momento, estão lançados os módulos sobre diagnóstico da sífilis e de outras IST, incluindo gonorreia e clamídia. Os conteúdos sobre HIV, hepatites virais e procedimentos de coleta serão disponibilizados em breve.
Para a médica infectologista, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST/Aids do INI/Fiocruz, e uma das coordenadoras do curso, Mayara Secco Torres da Silva, a iniciativa contribui para ampliar a capacidade de resposta dos serviços de saúde. “O lançamento do curso constitui uma importante iniciativa para o fortalecimento da formação dos trabalhadores do SUS”. Segundo ela, o objetivo é aprimorar as práticas de cuidado e ampliar o acesso ao diagnóstico oportuno, contribuindo para a prevenção de complicações e para a qualidade da assistência.
IST no Brasil: diagnóstico e prevenção são fundamentais
Os dados do Ministério da Saúde dimensionam a relevância do tema para a saúde pública. Em 2024, o Brasil registrou mais de 250 mil casos de sífilis adquirida, com taxa de detecção de 120,8 casos por 100 mil habitantes, além de cerca de 24 mil casos de sífilis congênita. No mesmo ano, foram notificados quase 40 mil casos de infecção pelo HIV, com taxa de detecção de 18,4 casos por 100 mil habitantes. Esses números reforçam a importância da prevenção, da testagem e do tratamento adequado. Entre as estratégias disponíveis estão o uso de preservativos, a realização de testes mesmo na ausência de sintomas, a vacinação contra HPV e hepatite B e, para a prevenção do HIV, o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) e à profilaxia pós-exposição (PEP), conforme indicação. A identificação e o tratamento das pessoas infectadas e de suas parcerias também são importantes para reduzir a transmissão e evitar reinfecções.
Atualização profissional para fortalecer o SUS
A coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (Dathi/SVSA/MS), Pâmela Gaspar, destaca que “o diagnóstico oportuno e adequado é essencial para garantir o tratamento correto, interromper as cadeias de transmissão e prevenir complicações, incluindo a transmissão vertical”.
De acordo com ela, a formação foi concebida para apoiar os profissionais na aplicação das recomendações nacionais, na interpretação de resultados e na tomada de decisões clínicas. “Ao reunir conteúdos técnicos e orientações para a prática assistencial, a parceria entre Fiocruz e Ministério da Saúde reafirma o compromisso com a educação permanente dos trabalhadores e com o fortalecimento da capacidade de diagnóstico e cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatizou.




