Financiamento da saúde no Brasil é insuficiente e instável, diz secretário David Uip

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27/03/2014 – 16h
 
Em sua fala durante o Fórum a Saúde do Brasil, na manhã desta quinta-feira (27), em São Paulo, o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip, fez um diagnóstico dos problemas que o País enfrenta nessa área. “O financiamento para a saúde é insuficiente e prejudicado por desperdício, má gestão, corrupção e roubos", declarou.

David Uip afirmou que em 12 anos os estados e municípios aumentaram seus investimentos em saúde, enquanto a União diminuiu. “Em 2000, por exemplo, a União foi responsável por 58,5% de todo o investimento brasileiro em saúde, o Estado de São Paulo e os municípios, por 20,3% e 21,2%, respectivamente. Em 2012, essa relação foi: União (46%), Estado (26%) e municípios (28%).”

Apesar de os municípios investirem mais em saúde (até 35% de seus orçamentos, segundo o secretário), David avalia que investem errado. "Investem na doença, não na saúde, como deveriam. Em vez de gastar com prevenção, eles preferem construir hospitais e arcar com todo o ônus das unidades de pronto atendimento."

David disse ainda que há 168 hospitais pequenos, de até 50 leitos, inviáveis no estado. "São 28 mil leitos vazios nos hospitais brasileiros e isso acontece principalmente nos hospitais de até 50 leitos e em municípios com menos de 20 mil habitantes", argumentou.

Para David, ninguém desconhece o diagnóstico da saúde e o que faltam são boas propostas para resolvê-los. “O gestor público precisa ter competência, criatividade, ousadia e precisa, necessariamente, se arriscar na proposição de soluções", afirmou.

O secretário terminou sua apresentação mostrando que são feitos dois milhões de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) por dia em São Paulo. "A saúde em São Paulo é a melhor do país, tanto na pública quanto na privada."

Outros debates

Debates sobre a efetividade do programa federal Mais Médicos, a saúde financeira dos hospitais, a situação dos idosos no Brasil, os impactos da tributação na saúde e a pesquisa clínica como fator de desenvolvimento e inclusão social também ganharam destaques neste Fórum. O evento foi organizado pela “Folha de S. Paulo” que, no sábado, vai publicar um caderno especial sobre o que ali foi debatido.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

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