Fiji declara emergência nacional por HIV após diagnósticos crescerem 16 vezes em seis anos

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País do Pacífico registrou 2.016 novos diagnósticos em 2025; Unaids estima que 9,1 mil pessoas vivam com HIV, mas apenas 39% conheçam seu diagnóstico e 22% tenham acesso ao tratamento

Fiji declarou emergência nacional por HIV diante de uma das epidemias que mais crescem no mundo. O pequeno país insular do Pacífico registrou 2.016 novos diagnósticos em 2025, número 16 vezes maior que o observado em 2019. Atualmente, estima-se que uma em cada 60 pessoas adultas viva com HIV no país — há cinco anos, essa proporção era de uma em cada 167.

A decisão foi anunciada pelo ministro da Saúde e Serviços Médicos, Dr. Ratu Atonio Lalabalavu, e recebeu apoio do primeiro-ministro e do gabinete do governo.

“Declaro formalmente emergência nacional por HIV”, afirmou o ministro. “A decisão reconhece a gravidade da epidemia e a urgência de uma resposta coordenada, como o nosso país necessita.”

A dimensão da crise vai além do crescimento dos diagnósticos. Segundo estimativas do Unaids, cerca de 9,1 mil pessoas viviam com HIV em Fiji em 2025, mas somente 39% conheciam seu estado sorológico e apenas 22% estavam em tratamento antirretroviral. O país, que tem população inferior a 1 milhão de habitantes, enfrenta dificuldades para ampliar simultaneamente diagnóstico, prevenção e acesso contínuo ao tratamento.

Transmissão sexual e uso compartilhado de equipamentos de injeção

Entre os casos em que foi possível identificar a forma de transmissão, mais da metade estava relacionada à transmissão sexual e mais de 42% ao uso de drogas injetáveis, segundo o Unaids.

O crescimento do HIV entre pessoas que injetam drogas já vinha sendo apontado como um dos principais desafios da resposta no país. Uma avaliação conduzida com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou graves lacunas no acesso a materiais esterilizados e a estratégias de redução de danos. Entre as pessoas entrevistadas no levantamento, todas relataram já ter reutilizado seringas ou agulhas usadas anteriormente por outra pessoa devido à falta de acesso a equipamentos estéreis.

Em 2024, 48% das pessoas que iniciaram tratamento para o HIV em Fiji eram pessoas que injetavam drogas, segundo a OMS. Diante desse cenário, o governo anunciou que pretende implantar um programa de distribuição de agulhas e seringas, medida que depende de alterações na legislação do país.

Ao mesmo tempo, os dados oficiais indicam que a expansão da testagem também contribuiu para que mais pessoas fossem diagnosticadas. O próprio Ministério da Saúde ressalta, porém, que o salto observado nos últimos anos reflete tanto uma melhora na detecção quanto um aumento efetivo das infecções pelo HIV.

HIV avança entre gestantes e crianças

Outro indicador considerado especialmente preocupante pelas autoridades é a presença crescente do HIV entre gestantes. Atualmente, estima-se que duas em cada 100 mulheres grávidas em Fiji vivam com HIV.

Em 2025, 59 bebês nasceram com HIV e 18 morreram antes de completar um ano de vida, segundo o governo. Os números evidenciam falhas importantes na prevenção da transmissão vertical, que pode ocorrer durante a gestação, o parto ou a amamentação.

O tratamento antirretroviral durante a gestação, aliado ao acompanhamento adequado da mãe e do bebê, pode reduzir drasticamente o risco de transmissão do HIV para a criança. Autoridades locais passaram, inclusive, a reforçar a repetição da testagem durante a gravidez diante da identificação de mulheres que apresentavam resultado negativo no início da gestação e adquiriam HIV posteriormente.

Governo promete ampliar PrEP, testagem e tratamento

Com a declaração de emergência, o governo de Fiji anunciou uma resposta que pretende envolver diferentes ministérios e setores da sociedade. Um comitê ministerial foi criado para enfrentar obstáculos políticos e operacionais e acelerar as medidas de prevenção e assistência.

Entre as ações previstas estão a ampliação dos testes rápidos e gratuitos, do tratamento antirretroviral, das estratégias de redução de danos e do acesso à profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP). O governo também estuda ampliar o acesso a modalidades de prevenção de longa duração, incluindo medicamentos injetáveis.

O Unaids classificou o crescimento observado em Fiji como um dos mais acentuados do mundo. Segundo a agência das Nações Unidas, as novas infecções pelo HIV no país aumentaram cerca de 12 vezes entre 2010 e 2025.

A emergência em Fiji mostra como uma epidemia de HIV pode mudar rapidamente quando diagnóstico, prevenção, tratamento e políticas de redução de danos não conseguem acompanhar as transformações na dinâmica de transmissão. Agora, o desafio do país será transformar a declaração de emergência em acesso efetivo aos serviços — especialmente para as populações que continuam fora do sistema de saúde.

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações

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