
Ela tem dois metros de altura, 0,9m de largura e 1 metro de profundidade. Sua cor é um lilás bonito que chama atenção. Sua operação será feita da seguinte maneira: os interessados em pegar os remédios passarão primeiro por teleconsultas no aplicativo e-saudeSP. Após o atendimento, a equipe médica vai disponibilizar a receita médica com um QR Code, este código será lido pela máquina que só então irá liberar o medicamento prescrito. O lançamento da máquina de dispensação de PrEP e PEP em São Paulo chamou atenção de ativistas, gestores e das muitas pessoas que participaram nesta quinta-feira (30) da tradicional, alegre, informal e irreverente Feira da Diversidade, em São Paulo.
O novo sistema de disponibilização das profilaxias pré e pós-exposição ao HIV (PrEP e PEP) por meio de máquinas automáticas pode ser uma solução rápida para ampliar o acesso às profilaxias para as populações que vivem nos bairros distantes em grandes metrópoles como a cidade de São Paulo.
“Em uma cidade como São Paulo, com as distâncias, as pessoas precisam ter mais acesso às profilaxias que existem. Eu tinha esta ideia na cabeça: que as pessoas com uma receita pudessem ter acesso à medicação. Chamamos a representante de empresa para uma conversa, explicamos as especificidades da área da saúde, falamos sobre as licenças específicas e as adaptações foram feitas para que a dispensação da medicação aconteça contemplando os quesitos exigidos pela legislação”, explicou a coordenadora da Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, Maria Cristina Abbate.
Também na feira, a executiva Mayuli Fonseca, diretora HospLog, empresa responsável pela criação da máquina, comemorou o lançamento. “Nossa empresa já tinha experiência em dispensação de medicamentos em hospitais, preenchendo as determinações da Anvisa. O difícil foi o prazo que nos foi solicitado para fazer a máquina funcionar na Parada do Orgulho. Conseguimos e lançamos aqui.”
Ver essa foto no Instagram
As máquinas automáticas estarão em estações de metrô, conforme a avaliação de dados epidemiológicos e o levantamento de equipes especializadas com relação às demandas locais na cidade. Ao otimizar a logística e reduzir o tempo de espera, a implantação dos dispositivos facilita o acesso à PrEP e à PEP, que são fundamentais para a resposta da capital à epidemia de HIV.
A epidemiologista e pesquisadora, a dra. Maria Amélia Veras foi conferir de perto a nova máquina. “Sou pesquisadora do HIV há muitas décadas e estou emocionada de participar e ver este lançamento aqui na nossa cidade, isso é democratizar o acesso. Todas as barreiras que uma pessoa enfrenta para chegar a uma unidade de saúde em uma cidade como São Paulo podem ser minimizadas com uma dispensação como essa. Eu tenho a honra de fazer parte da Comissão Nacional de Aids, a Cnaids, e esta é uma pauta que a gente pode levar para a comissão”, elogiou.
A presidente do Instituto Cultural Barong, Marta Mc Britton, também recebeu bem a novidade: ”Trabalhei no município de São Paulo por 28 anos na área de HIV/Aids e, desde o ano passado, estou morando na Baixada Santista, onde estou colaborando com a construção da nova filial do Barong. Já sabia que a máquina seria lançada, mas, ao vê-la ao vivo e a cores, me emocionei. Senti um misto de admiração pela Coordenadoria de HIV/Aids da cidade de São Paulo e esperança ao constatar que pelo menos uma cidade no Brasil está caminhando para zerar a transmissão de HIV. Apenas 90 minutos de viagem separam a Baixada Santista do município de São Paulo, mas a sensação ao subir a serra é a de chegar realmente ao século XXI e perceber que não se apropriar das novas tecnologias em relação ao HIV, e não oferecer à população a possibilidade de viver plenamente a sua sexualidade, é uma escolha política. Espero que a ousadia e o compromisso do município de São Paulo sirvam de exemplo para outras cidades. Parabéns, São Paulo!”

Além de apresentar o novo equipamento, a Coordenadoria de aids ofertou ao público, de forma gratuita, serviços como testagem rápida de HIV, teste diagnóstico para sífilis (com aplicação de medicamento em caso de resultado positivo) e distribuição de preservativos internos e externos, gel lubrificante e autoteste para HIV.
O evento, que antecedeu a 28ª Parada do Orgulho LGBT+, contou com acessibilidade, teatro de artistas LGBTQIAP+ e palestras voltadas para o empreendedorismo da comunidade.
Confira a seguir a entrevista da Agência Aids na íntegra:
Ver essa foto no Instagram
Redação da Agência de Notícias da Aids



