23/07/2014 – 18h
Um dia após a Santa Casa de São Paulo, maior hospital filantrópico da América Latina, interromper atendimentos de emergência por falta de recursos, a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (Fehosp) emitiu nota explicando que há uma crise de anos e, por isso, não vê a notícia com surpresa. A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, por meio da assessoria, informou estar liberando, imediatamente, R$ 3 milhões para que a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo reabra seu pronto-socorro.
A Secretaria, no entanto, condicionou a liberação de recursos à realização de uma auditoria nas contas da entidade, que, segundo a nota, ao longo dos últimos anos, tem sofrido com o aumento expressivo de suas dívidas. “ O objetivo é ajudar a entidade a aprimorar a gestão de suas contas.”
Neste ano, segue a nota, o governo do Estado repassará R$ 168 milhões extras para a Santa Casa, além do que ela já recebe pelo atendimento realizado aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), o que totalizará R$ 345 milhões em dois anos.
Em razão do fechamento do pronto-socorro da Santa Casa, a Secretaria de Estado da Saúde anunciou ter ativado o Plano de Contingência, acionando seus 40 hospitais da rede estadual na região metropolitana para que ampliem a sua capacidade de atendimento.
"Infelizmente, a Federação não vê com surpresa essa notícia, pois conhece a fundo o cenário dos filantrópicos e a crise vivenciada há anos por todas as instituições que atendem o SUS", diz a nota da federação. "Para entender o que leva uma Santa Casa a fechar suas portas para a população é preciso considerar que estas instituições hospitalares destinam mais de 60% de suas capacidades assistenciais ao SUS, cuja contraprestação é pública e notoriamente conhecida como deficitária, na ordem de R$ 5,1 bilhões/ano, consolidado no país. Em média, a cada R$ 100 empregados pelos filantrópicos nos convênios e contratos com o SUS, os hospitais são remunerados com R$ 65. Os maiores problemas estão localizados na assistência de média complexidade, onde as diferenças entre o pago e o efetivamente gasto, em alguns casos, superam os 200%. Esta realidade já gerou dívidas acumuladas superiores a R$15 bilhões."
Dicas de entrevista:
Fehosp
Tel.: (11) 4930-.2006
Carolina Fagnani/Fernanda Fahel
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Tel.: (11) 3066-8701 / 8702 / 8707


