Ministério da Saúde discute ampliação do programa para incluir monitoramento da pressão arterial, exames de sangue e acompanhamento de pacientes com diabetes e hipertensão. Propostas ainda dependem de avaliação técnica e orçamentária.
O Programa Farmácia Popular poderá ampliar sua atuação e passar a oferecer, além de medicamentos gratuitos, serviços de acompanhamento da saúde, como aferição da pressão arterial, testes de glicemia e exames de colesterol. A proposta está sendo discutida pelo Ministério da Saúde e busca fortalecer o cuidado de pessoas com doenças crônicas, especialmente diabetes e hipertensão, aproximando os serviços de saúde da rotina da população.
As possibilidades foram debatidas na terça-feira (27), durante a segunda reunião do Grupo de Trabalho (GT) para a Modernização do Farmácia Popular. O encontro virtual reuniu representantes do governo federal, da sociedade civil, da indústria farmacêutica, do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre os procedimentos inicialmente avaliados estão a aferição da glicemia capilar, realizada por meio de uma pequena gota de sangue retirada do dedo; a medição da pressão arterial; e a avaliação antropométrica, que utiliza informações como peso e altura para acompanhar o estado nutricional dos pacientes.
O grupo também discutiu a possibilidade de incorporar exames de hemoglobina glicada, utilizados no acompanhamento do diabetes, e de perfil lipídico, que avalia os níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue. Esses indicadores são importantes para identificar fatores de risco cardiovascular e acompanhar condições que podem aumentar a probabilidade de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, afirmou que a proposta pretende transformar o Farmácia Popular em um espaço de cuidado mais próximo das necessidades da população.
“Nossa missão é dar continuidade ao processo de modernização do Programa Farmácia Popular. Queremos que o programa seja, além de mais moderno, mais próximo do cidadão, para que as pessoas possam não apenas retirar seus medicamentos de uso contínuo, mas também contar com serviços que contribuam para o monitoramento das condições de saúde”, afirmou.
Novos serviços ainda dependem de aprovação
Apesar do avanço das discussões, os novos atendimentos ainda não estão disponíveis pelo programa. O Ministério da Saúde precisa definir quais pacientes poderão utilizar os serviços, a frequência dos procedimentos, as condições de funcionamento e a integração dos resultados com a rede de assistência à saúde.
O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, Nélio de Aquino, responsável pela coordenação do grupo de trabalho, destacou que a ampliação depende de estudos técnicos e da disponibilidade de recursos.
“Essas propostas preliminares de novos serviços ainda dependem da definição das regras de participação, dos critérios de atendimento, dos mecanismos de acompanhamento e da viabilidade orçamentária”, explicou.
A iniciativa representa uma possibilidade de ampliar o papel das farmácias participantes no acompanhamento de doenças crônicas. Atualmente, o programa concentra sua atuação na distribuição gratuita de medicamentos e insumos, enquanto os novos serviços propostos poderiam contribuir para o monitoramento regular das condições de saúde dos usuários.
Programa já atende milhões de brasileiros
Criado há mais de duas décadas, o Farmácia Popular está presente em 5 mil municípios brasileiros, que concentram 97,1% da população do país. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e setembro de 2026, aproximadamente 25,3 milhões de pessoas foram atendidas pelo programa.
Atualmente, são disponibilizados gratuitamente 41 itens de saúde, incluindo medicamentos para hipertensão, diabetes, asma, doença de Parkinson e glaucoma, além de fraldas geriátricas e absorventes higiênicos.
A gratuidade também representa economia para as famílias. De acordo com estimativas do governo federal, uma família de quatro pessoas que utilize medicamentos e insumos oferecidos pelo Farmácia Popular pode economizar aproximadamente R$ 8,8 mil por ano, dependendo das condições de saúde e dos produtos utilizados.
Com a modernização em discussão, o Ministério da Saúde pretende avançar de um modelo centrado na oferta de medicamentos para uma assistência que também contemple o acompanhamento de indicadores de saúde. Ainda não há prazo anunciado para a implementação dos novos serviços.
Redação da Agência de Notícias da Aids



