Falta de infectologistas deixa pessoas vivendo com HIV/aids sem atendimento em Guarulhos

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Guarulhos vive uma crise sem precedentes no atendimento a pessoas que vivem com HIV/aids e outras ISTs. Ativistas do município trouxeram a denúncia para a Agência Aids. Desde dezembro de 2024, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Ubiratan Marcelino dos Santos e o Serviço de Assistência Especializada (SAE) — que juntos acompanham mais de 11 mil pacientes — estão praticamente sem médicos infectologistas, informaram os usuários.

O colapso começou com o fim do contrato de seis especialistas, restando apenas a médica efetiva, Dra. Priscila. A sobrecarga tornou impossível garantir o acompanhamento regular de quem depende do serviço. Mesmo com a adoção de um plano de contingência, a medida rapidamente se mostrou insustentável. “O serviço não possui mais estratégia. A ausência de médicos já impacta outros atendimentos, levando pacientes a perderem o vínculo”, aponta ofício encaminhado pela Associação Marinatti de Direitos Humanos e pelo Conselho Gestor do CTA à Ouvidoria da Saúde.

“Consultas só em 2025”

O drama é sentido cotidianamente pelos pacientes. A técnica de enfermagem Angélica Caetano Torquato, 35 anos, que vive com HIV desde os 17 e é acompanhada pelo CTA há quase duas décadas, denuncia:

“Não há mais vagas para consultas neste ano. A única médica concursada não consegue atender toda a demanda. Os demais profissionais atuam como PJs, com carga horária reduzida e vínculos precários.”

Segundo Angélica, hoje os atendimentos se limitam à renovação de receitas. “Exames de carga viral e CD4, fundamentais no acompanhamento do HIV, não estão sendo realizados. Se você tentar marcar consulta agora, só consegue vaga para 2026”, relata.

 

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Ela ainda aponta que a falta de compromisso de alguns profissionais agrava a desassistência: “Conheço pessoas que desistiram de procurar atendimento e abandonaram o tratamento, o que aumenta o risco de novas infecções”.

Risco coletivo

A situação preocupa lideranças comunitárias. Para Eglia Nascimento, presidente da ONG Marinatti, a interrupção no acompanhamento ameaça não apenas a saúde individual, mas a coletiva:

“O abandono impacta diretamente nos índices de proliferação do HIV, causando não apenas risco de morte física, mas também morte social para pessoas em tratamento.”

Mobilização dos pacientes

Diante do descaso, pacientes organizaram um abaixo-assinado online (clique aqui para acessar) exigindo do Ministério Público e da Prefeitura de Guarulhos a contratação imediata de infectologistas efetivos. O documento lembra que a omissão do poder público fere o direito constitucional à saúde, garantido nos artigos 196 e 197 da Constituição Federal.

Resposta do poder público
 
A Agência Aids entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Guarulhos através dos canais oficiais disponibilizados para obter uma resposta oficial na última quarta-feira (20). Até o momento, tanto a Prefeitura de Guarulhos, quanto a Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciaram oficialmente sobre as denúncias nem sobre quais medidas serão adotadas para recompor as equipes médicas.

Na manhã desta segunda-feira a Agência conversou, por telefone, com a assessoria de imprensa da Prefeitura. A situação dos pacientes foi explicada. A assessoria retornou por Whatsapp e informou que a questão foi encaminhada para o setor responsável. O espaço está aberto para que a as autoridades municipais informem sobre as providências que serão tomadas para resolver a situação.

A cidade

Guarulhos é a segunda cidade mais populosa do estado de São Paulo e a 13ª do país, com mais de 1,2 milhão de habitantes, segundo o Censo de 2022. Fundada em 1560, a cidade se consolidou como um polo estratégico da Região Metropolitana de São Paulo, principalmente por abrigar o Aeroporto Internacional André Franco Montoro, o maior do Brasil. Com um PIB de cerca de R$ 77 bilhões, Guarulhos ocupa a terceira posição na economia paulista e segue como um dos principais motores de desenvolvimento do estado, embora enfrente desafios importantes em inclusão social e acesso à educação superior.

Desde janeiro de 2025, o município é governado por Lucas Sanches, jovem engenheiro civil formado pela Unicid e filiado ao Partido Liberal (PL). Nascido em 1996, ele iniciou sua trajetória política como vereador em 2021 e foi eleito prefeito em 2024 com 58,55% dos votos válidos, vencendo no segundo turno o ex-prefeito Elói Pietá. Ao assumir o cargo, Sanches prometeu uma gestão moderna, técnica e eficiente, com foco em resultados imediatos.

Na área da saúde, a gestão conta com a liderança do secretário Márcio Chaves Pires, que assumiu a pasta em janeiro junto à adjunta Flávia de Souza Verdugo. Responsável por enfrentar a sobrecarga do sistema municipal, Pires tem como prioridade reorganizar o atendimento, reduzir as filas e modernizar a rede de serviços.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

Angélica Caetano Torquato

Instagram: @angelica_tor4

Associação Marinatti

Instragam: @associacaomarinatti

Tel.: (11) 96225-6314

Assessoria de Imprensa Prefeitura de Guarulhos

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