Fábio Mesquita apresenta ações do Departamento e fala de perspectivas para aids em 2015, na Expoepi

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01/12/2014 – 15h

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquista, participou nesta quinta-feira (30) do painel Inovações na Resposta Brasileira à Epidemia HIV/Aids, na 14ª Mostra Nacional de Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expopepi), em Brasília. Com o tema “O novo modelo de vigilância e desafios para o controle do HIV/AIDS no Brasil”, Fábio apresentou as ações do Ministério da Saúde no enfrentamento, na prevenção e no tratamento da aids nos últimos 18 meses e as perspectivas para 2015.

“Nós temos um número de notificações que vem reduzindo nos últimos anos, mas precisamos observar que há vários ‘Brasis’ dentro de nosso país e cada região apresenta uma característica específica que aponta alta”, afirmou.

O painel, coordenado pela representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) no Brasil, Georgiana Braga, contou também com a participação de Inácio Galdino de Queiroz Filho (Grupo Pela Vidda Niterói) e da professora Maria Inês Dourado, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Fábio Mesquita destacou a incidência pontual da aids em determinadas regiões e grupos. “Não temos uma epidemia generalizada no país, mas existe uma taxa de prevalência em determinados locais e específica em alguns grupos que nos preocupam. É onde precisamos focar nossas ações”, frisou Mesquita.

O grupo citado pelo diretor é o de jovens gays e transexuais com idade entre 15 e 24 anos. “Trabalhamos bem com este perfil de público nas décadas de 80 e de 90. Atualmente, esta geração pensa completamente diferente daquela do passado. Temos o desafio de construir uma nova campanha de prevenção para os jovens gays e transexuais”, afirmou. “Precisamos nos aproximar destes jovens para saber quais medidas tomar e iniciar o trabalho de prevenção e tratamento com eles”.

Antirretrovirais

Fábio Mesquita destacou o tratamento com medicamentos antirretrovirais que, segundo ele, até setembro de 2014 já atendeu 389 mil pacientes. “Apesar dos bons números, a prioridade é melhorar a adesão”. Tal tratamento, segundo o diretor, está em consonância com as metas ambiciosas para 2026, como a 90-90-90, que pretende atingir 90% da população com conhecimento da doença, 90% em tratamento e 90% com a carga viral suprimida. No Rio Grande do Sul e no estado do Amazonas, é fornecido pelo Ministério da Saúde o “três em um” (uma única cápsula contendo as três drogas: tenofovir, efavirenz e lamivudina). “A meta é implementar o ‘três em um’ em todo o país até dezembro de 2014”, disse Fábio.

Desafios para 20105

Os desafios do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais para o próximo ano, segundo Fábio Mesquita, estão focados na aproximação com jovens gays e transexuais, no tratamento junto aos profissionais do sexo e usuários de drogas, na intensificação do diagnóstico prévio, nas profilaxias pré e pós-exposição ( PrEP e PEP) na coinfecção de HIV com tuberculose e hepatites virais e na ampliação da oferta de tratamento e adesão para negativar a carga viral. “O nosso desafio é melhorar o diagnóstico precoce e ampliar as ações de manejo do HIV na atenção básica. Temos também como objetivo que todos os infectados tenham a supressão da carga viral.”

Para Fábio Mesquita, o Brasil conta com a sorte de ter uma presidenta da República próxima dos anseios dos homossexuais. “É raro um país que tenha um governante que dialogue com este público e a presidenta Dilma Rousseff o faz com facilidade e respeito. Isso cria boas perspectivas para que consigamos evoluir contra as mensagens homofóbicas e na prevenção e combate das doenças sexualmente transmissíveis”, disse.

Outras experiências

A pesquisadora Maria Inês Dourado, da UFBA, apresentou o Pop Trans, que investiga os modos de vida e hábitos de travestis e transexuais de Salvador (BA). “Pretendemos verificar as condições de vida deste público, como vivem e, a partir dos dados colhidos, poder auxiliá-los no tratamento, no combate e na prevenção do HIV/aids, da sífilis e das hepatites virais”, disse. O trabalho é realizado por meio de questionários respondidos pelos entrevistados na sede da Pop Trans, no centro da capital baiana.

Já Inácio Galdino de Queiroz Filho, do Grupo Pela Vidda Niterói/RJ, apresentou o resultado do diagnósticos de HIV realizados pela entidade. Entre março e setembro de 2014, foram oferecidos 706 testes ao público gay que era abordado pelos pesquisadores na cidade de Niterói. Destes, 124 aceitaram participar. O público masculino predominou, com 80% de participação. Seis dos testes foram positivos. Apenas três dos que se submeteram à testagem não aceitaram ser encaminhados para um centro de referência. “O trabalho de uma entidade que trabalha com um grupo específico, principalmente de população-chave, facilita o diálogo e aumenta a possibilidade da realização dos testes”, afirmou Inácio Queiroz.

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